Raízen solicita recuperação extrajudicial para negociar dívida de R$ 65 bilhões

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A Raízen protocolou nesta terça-feira (10) pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. A companhia, joint venture formada por Cosan e Shell, optou pelo instrumento a fim de preservar caixa destinado a fornecedores e funcionários.

No modelo extrajudicial, a empresa seleciona parte dos credores para firmar acordo e, depois, busca homologação judicial. Segundo a Raízen, detentores de mais de 40% do valor devido já aderiram à proposta. A legislação concede 90 dias para elevar esse apoio a, no mínimo, 50% mais um, porcentual necessário para validar o plano. Durante esse período, ficam suspensos os pagamentos de principal e juros.

Principais pontos da negociação

• Possibilidade de conversão de aproximadamente 40% da dívida em ações, ainda em discussão.

• Injeção de R$ 3,5 bilhões pela Shell e de R$ 500 milhões pelo fundo Aguassanta Investimentos, da família de Rubens Ometto.

• Venda da operação na Argentina, com meta de arrecadar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões) até abril.

• Objetivo de reduzir a relação dívida líquida/Ebitda de 5,5 para entre 2,5 e 3 vezes.

O processo é conduzido por Lourival Luz, ex-presidente da BRF e atual diretor financeiro da Raízen. A lista de credores reúne cerca de 15 bancos, além de detentores de títulos no mercado.

Cenário de endividamento

Desde 2021, a companhia vem ampliando investimentos, incluindo a compra da Biosev por R$ 6,5 bilhões, o que elevou a alavancagem. Condições climáticas adversas afetaram a safra de cana, reduzindo a produção de açúcar e etanol e pressionando margens. A alta da taxa Selic acima de 10% ao ano, a partir de 2022, encareceu o custo de captação.

No terceiro trimestre da safra 2024/2025, a empresa registrou prejuízo de R$ 2,5 bilhões, ante lucro de R$ 793 milhões um ano antes. Para a safra 2025/2026, o prejuízo líquido no segundo trimestre alcançou R$ 2,3 bilhões, e a dívida líquida superou R$ 53 bilhões.

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Imagem: redir.folha.com.br

Para gerar caixa, a Raízen se desfez de ativos em 2025, como as usinas Santa Elisa (R$ 1,04 bilhão), Leme (R$ 425 milhões) e Continental (R$ 750 milhões), além de projetos solares superiores a R$ 1 bilhão. A companhia também negocia refinarias na Argentina.

Outras empresas

Também nesta terça (10), o Grupo Pão de Açúcar recorreu à recuperação extrajudicial para negociar dívida de R$ 4,5 bilhões.

Fundada em 2011, a Raízen emprega cerca de 45 mil pessoas, tem sede administrativa em Piracicaba (SP) e concorre com Vibra e Ultrapar. Entre outubro e dezembro de 2025, registrou receita líquida de R$ 60,4 bilhões e prejuízo de R$ 15,6 bilhões.

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