Brasília — 11.mar.2026 O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quarta-feira (11) que não vê necessidade de aumentar o preço da gasolina no país, apesar dos impactos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Ele advertiu que distribuidoras e postos que elevarem os valores serão multados e poderão ser investigados pela Polícia Federal (PF).
“Não há risco de desabastecimento e existe total condição de manter o preço dos combustíveis”, declarou o ministro a jornalistas. Silveira classificou os reajustes praticados nos últimos dias como “criminosos” e disse que pedirá atuação da Senacon, da ANP, do Cade e da PF para coibir a prática.
Segundo o ministro, o Brasil produz mais petróleo do que consome e só importa parte do diesel e da gasolina utilizados internamente. Ele criticou o que chama de “especulação” de agentes do setor, que pressionam o governo e a Petrobras a repassar aumentos.
Na madrugada desta quarta, o Irã atacou três navios no Golfo Pérsico e reiterou a intenção de manter fechado o estreito de Hormuz, rota de 20% do petróleo mundial. “Preparem-se para o petróleo a US$ 200 o barril”, disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari.
O barril do Brent iniciou o dia em queda, mas subiu 6% no decorrer das negociações. Em resposta, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a liberação de 400 milhões de barris, medida inédita na história da entidade.
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A Petrobras, que domina o mercado interno, considera o movimento de preços “volatilidade de momento”. Internamente, integrantes do governo avaliam que um reajuste seria impopular em ano pré-eleitoral, diante da crescente competitividade de Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida de 2026.
A diferença entre os preços internos e internacionais, porém, aumentou, reduzindo margens domésticas e estimulando exportações. Entidades do setor e postos já anunciam aumentos nas bombas, encarecendo o custo para o consumidor final.
Silveira reiterou que o governo seguirá monitorando o mercado e, se necessário, tomará “todas as medidas legais” contra práticas abusivas.