Ataques do Irã expõem riscos de gigantes de tecnologia no golfo Pérsico

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Dubai – A ofensiva militar iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã transformou o golfo Pérsico, até então visto como porto seguro para investimentos digitais, em zona de alerta máximo para empresas norte-americanas de tecnologia.

Investimentos bilionários sob ameaça

Em 2019, a Amazon inaugurou seu primeiro data center no Bahrein. Dois anos depois instalou outra estrutura nos Emirados Árabes Unidos e, em 2024, anunciou mais de US$ 10 bilhões (R$ 53,2 bilhões) em projetos na Arábia Saudita. Google, Microsoft, OpenAI, Oracle, IBM, Nvidia e Palantir também expandiram operações na região, atraídas por energia barata, regras flexíveis e acesso rápido a África e Europa.

Segundo a consultoria IDC, os gastos totais de consumidores e empresas com tecnologia no Oriente Médio chegaram a US$ 65 bilhões (R$ 346 bilhões) em 2025, contra US$ 36 bilhões (R$ 191,6 bilhões) em 2020. Somente o desembolso com data centers e serviços de nuvem avançou 75% em 2025, alcançando US$ 895 milhões (R$ 4,7 bilhões).

Drones atingem infraestrutura crítica

Os planos começaram a desmoronar em 1º de março, quando drones iranianos danificaram o data center da Amazon no Bahrein e outros dois nos Emirados Árabes. Várias empresas que utilizavam esses servidores permaneceram sem acesso a sistemas essenciais.

“Perdemos totalmente nossos servidores; o impacto foi enorme”, relatou Simon Williams, ex-Amazon e hoje executivo da Atelic AI, sediada em Dubai. A companhia ainda não conseguiu recuperar todos os arquivos hospedados na nuvem.

Em comunicado, a Amazon orientou clientes a transferir cargas de trabalho para centros de outras regiões e informou que ajusta operações “com pausas temporárias quando necessário”. O Google afirmou monitorar a situação com foco na segurança dos funcionários. A Microsoft preferiu não comentar.

Ameaças diretas de Teerã

Nesta semana, o Irã advertiu que poderá atacar “infraestruturas tecnológicas inimigas” de sete empresas norte-americanas: Amazon, Microsoft, Google, Palantir, Nvidia, IBM e Oracle. Na quinta-feira (12), o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, disse que o país pretende “abrir outras frentes onde o inimigo tem pouca experiência”.

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Imagem: redir.folha.com.br

Riscos geopolíticos subestimados

Especialistas apontam que o setor de energia está acostumado a lidar com instabilidade no Oriente Médio, mas o de tecnologia não. “Investidores que não atuam em energia subestimaram esses riscos”, avaliou Steffen Hertog, professor da London School of Economics.

Para Dave Komendat, ex-diretor de segurança da Boeing, data centers se tornaram alvos estratégicos. “É um evento de baixa frequência e alto impacto. Pode nunca mais ocorrer ou acontecer dez vezes”, disse o consultor da Corporate Security Advisors.

A diretora da Eurasia Group, Xiaomeng Lu, afirma que a prolongação do conflito poderá comprometer os planos dos Emirados e de outros países do golfo de atrair grandes grupos de tecnologia. “As ambições regionais dependem da estabilidade geopolítica”, observou.

Enquanto o desfecho da guerra permanece incerto, bilhões de dólares aplicados na infraestrutura digital do golfo Pérsico seguem em risco.

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