O crescente debate sobre a transição energética elevou o interesse dos brasileiros por ativos ligados a minerais críticos. Corretoras passaram a disponibilizar BDRs e ETFs estrangeiros ao público em geral, incluindo investidores não qualificados, que podem aplicar a partir da B3.
A porta de entrada mais simples são os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) que replicam a variação de fundos temáticos listados nos Estados Unidos. Na prática, o investidor compra na B3 um certificado atrelado a ETFs focados no setor de mineração.
Entre os destaques:
Apesar dos ganhos recentes, especialistas ressaltam a instabilidade desse mercado. “Existe potencial graças à descarbonização, mas tensões geopolíticas trazem forte volatilidade”, afirma Eduardo Cardoso, sócio da gestora Ore Investment.
O comportamento do lítio ilustra o alerta: desde 2022, o preço do mineral cedeu cerca de 90%, refletindo um ritmo menor da transição energética e pressionando ações e fundos do segmento. Movimento semelhante ocorre com níquel e cobalto.
Segundo Leonardo Laport, chefe de Equities Global para a América Latina no banco Jefferies, é possível aplicar diretamente nos ETFs negociados em Nova York por meio de corretoras que oferecem conta internacional, como XP, BTG, Inter e Avenue Itaú.
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Nesse caso, o investidor ganha acesso a uma gama maior de produtos, mas precisa considerar variações cambiais e a incidência de Imposto de Renda sobre ganhos em dólar. Entre os fundos mais negociados estão:
Além dos fundos, há a opção de comprar ações de empresas do setor. Na B3, a Vale subiu 46% nos últimos 12 meses, embora seu desempenho esteja mais atrelado ao minério de ferro.
Pelos BDRs, o investidor também encontra papéis de companhias estrangeiras:
Embora o setor atraia atenção pela demanda projetada na economia de baixo carbono, analistas recomendam cautela e diversificação diante da sensibilidade dos preços de minerais a ciclos econômicos e eventos geopolíticos.