Solange Srour alerta que guerra no Oriente Médio pode provocar ajuste brusco nos mercados

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São Paulo – A prolongação do conflito no Oriente Médio já afeta a economia mundial de forma estrutural e pode desencadear uma correção repentina nos preços de ativos, avalia a economista Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management.

Segundo Srour, há uma desconexão entre o avanço dos riscos econômicos e geopolíticos e o comportamento ainda resiliente dos mercados financeiros. Para ela, a alta dos preços de energia é o canal mais imediato de transmissão da guerra, mas o impacto se estende a fertilizantes, alimentos, metais e demais insumos industriais, pressionando a inflação de forma disseminada e persistente.

A economista destaca que a retomada dos fluxos de comércio vem sendo adiada e, mesmo após eventual reabertura de rotas, portos terão de ser reorganizados e a produção, retomada gradualmente. Caso o conflito se estenda ou resulte em soluções instáveis, esses efeitos tendem a perdurar.

Cadeias produtivas redesenhadas

Para Srour, o choque atual faz parte de uma reconfiguração geopolítica ampla. Cadeias de suprimento estão sendo redesenhadas, trocando eficiência por segurança, o que eleva custos de forma permanente e torna os preços mais voláteis. Ela lembra que a China evidenciou esse debate ao demonstrar o peso estratégico do domínio sobre terras raras e outros minerais críticos.

Resultados corporativos sob pressão

Até agora, as quedas nos preços de ativos foram seguidas de recuperações rápidas, amparadas por balanços corporativos ainda sólidos e pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA). Contudo, Srour avalia que esse otimismo deveria embutir prêmios de risco mais altos, já que a guerra tende a elevar custos, reduzir margens e desacelerar a demanda global.

Ela frisa ainda a vulnerabilidade da cadeia de hardware da IA, dependente de semicondutores avançados fabricados majoritariamente em Taiwan. A ilha, aponta, exerce para a tecnologia papel semelhante ao do estreito de Hormuz para o petróleo: um potencial ponto de estrangulamento.

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Imagem: redir.folha.com.br

Possível reprecificação abrupta

Na visão da economista, a subprecificação dos riscos geopolíticos é perigosa. Caso os mercados passem a incorporar a instabilidade como algo duradouro, a reprecificação pode ser brusca, endurecendo as condições financeiras e ampliando o impacto sobre a atividade econômica de forma não linear.

Pressão fiscal

Srou​r também chama atenção para o risco fiscal. Conflitos frequentes exigem mobilização contínua de recursos em um momento de endividamento público elevado. Juros globais mais altos e uma piora na trajetória das dívidas, segundo ela, ainda estão pouco refletidos nos preços dos ativos.

Para a diretora do UBS, o maior erro é interpretar o desempenho recente dos mercados como sinal de normalidade. Ela argumenta que a ordem internacional que sustentou décadas de crescimento relativamente estável está sendo reescrita, processo que raramente ocorre de maneira linear ou indolor.

Srour conclui que é difícil prever quando ocorrerá uma correção, mas considera improvável um retorno ao ambiente cooperativo do pós-Segunda Guerra. Quando a realidade geopolítica for plenamente precificada, afirma, o impacto dificilmente será pequeno.

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