Jerusalém, 11 mar. 2026 – A plataforma de mercados de previsão Polymarket informou ter banido e denunciado à polícia usuários que enviaram ameaças de morte ao correspondente militar do The Times of Israel, Emanuel Fabian, na tentativa de forçá-lo a alterar uma reportagem sobre um míssil iraniano que caiu perto da cidade israelense de Beit Shemesh em 10 de março.
O episódio envolve um mercado criado na Polymarket que permite apostas sobre a data em que o Irã lançaria um ataque contra Israel. Mais de US$ 17 milhões estavam apostados exclusivamente na opção de que o ataque ocorreria em 10 de março.
Pelas regras do mercado, o resultado seria considerado “Sim” caso o Irã executasse um ataque com drones, mísseis ou aeronaves em solo israelense no dia especificado. Entretanto, o regulamento prevê que projéteis interceptados não contam, mesmo que seus destroços caiam em território israelense.
Segundo Fabian, logo após publicar a matéria relatando que um míssil iraniano atingira uma área aberta fora de Beit Shemesh, ele passou a receber e-mails, mensagens e ligações exigindo que alterasse o texto para classificar o artefato como “fragmento de míssil interceptado”.
Entre os contatos, um homem que se identificou como Haim enviou recados extensos em hebraico, ameaçando “um dano que você jamais imaginou” caso o jornalista não modificasse a reportagem. Fabian contou que o autor das ameaças citou detalhes sobre seus pais, familiares e o bairro onde moram, além de afirmar que “investiria dinheiro para acabar” com sua vida.
O repórter procurou a polícia israelense, que abriu investigação. Ele também afirmou que um colega de outra redação foi abordado por um conhecido, o qual admitiu ter apostado na Polymarket e oferecido parte do possível prêmio se a notícia fosse alterada.
Imagem: cointelegraph.com
Em nota publicada na rede social X em 10 de março, a Polymarket declarou “condenar o assédio e as ameaças dirigidas a Emanuel Fabian ou a qualquer pessoa”. A empresa disse que o comportamento viola seus Termos de Serviço, informou que baniu as contas envolvidas e que entregará os dados “às autoridades competentes”.
O movimento acontece em meio ao crescimento dos volumes negociados em plataformas de previsão como Polymarket e Kalshi. Legisladores nos Estados Unidos e em outros países alertam que mercados ligados a guerras e eventos políticos podem estimular uso de informações privilegiadas.
Até o momento em que a Polymarket divulgou a punição, apostadores que escolheram “Não” alegavam que a explosão de 10 de março se tratava de um míssil interceptado, o que invalidaria o ataque segundo as regras. Posteriormente, Fabian informou que as Forças de Defesa de Israel confirmaram que o projétil não foi interceptado, reforçando o argumento de quem apostou no resultado “Sim”.
Fabian concluiu que, apesar da tentativa de coerção, não alterará o conteúdo publicado. “Preocupa-me que outros jornalistas, diante de ofertas de parte dos ganhos, possam ceder”, declarou.