O cenário das criptomoedas entrou em maio de 2026 sem um consenso claro. Enquanto parte do setor busca novas fontes de receita em inteligência artificial (IA), outras empresas redobram investimentos em ativos já consolidados. Ao mesmo tempo, o volume de transações com stablecoins diminui, apesar do aumento da oferta, e títulos do Tesouro tokenizados começam a ganhar espaço como garantia em corretoras.
Analistas da Bernstein divulgaram relatório no qual reavaliam a estratégia da IREN, tradicionalmente associada à mineração de Bitcoin (BTC). Segundo o estudo, a companhia está transformando seus centros de dados em infraestrutura dedicada a IA, aproveitando o acesso a energia em grande escala para oferecer capacidade de computação de alto desempenho.
O documento estima que o segmento de nuvem de IA da IREN possa alcançar valor de mercado de aproximadamente US$ 3,7 bilhões. A empresa já ampliou o parque de data centers e obteve financiamento para sustentar a virada, numa tentativa de reduzir a dependência dos ciclos de quatro anos do BTC e diversificar receitas.
A BitMine, liderada por Tom Lee, adquiriu outros 101.000 ethers (ETH), elevando o investimento total para cerca de US$ 17,6 bilhões. Apesar da posição reforçada, a companhia registra mais de US$ 6,5 bilhões em perdas não realizadas, já que o preço médio de aquisição é de US$ 3.621,34, contra os aproximados US$ 2.248,55 de mercado, de acordo com dados da DropsTab.
O novo aporte consolida a BitMine como a maior detentora corporativa de ETH, mas evidencia o risco de concentrar tesouraria em um único ativo volátil.
Levantamento da RWA.xyz mostra que, nos últimos 30 dias, o volume de transferências de stablecoins recuou 19%, para cerca de US$ 8,3 trilhões, mesmo com o aumento da oferta total, que ultrapassou US$ 305 bilhões. O número de detentores e endereços ativos avançou ligeiramente, indicando entrada ou retenção de capital que, contudo, não está sendo movimentado.
Imagem: cointelegraph.com
Entre os tokens individuais, o USDt (USDT) da Tether liderou entradas, adicionando aproximadamente US$ 3,6 bilhões. Já USDe e PayPal USD (PYUSD) registraram saídas líquidas.
A corretora OKX passou a permitir que clientes institucionais utilizem o BUIDL, fundo tokenizado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos gerido pela BlackRock, como garantia de operações. A solução foi desenvolvida em conjunto com o Standard Chartered, que mantém a custódia regulada do ativo enquanto a OKX reflete o saldo para fins de margem.
O modelo possibilita que investidores deixem de imobilizar stablecoins ou dinheiro em caixa, usando um instrumento com rendimento atrelado a Treasurys, ao mesmo tempo em que reduz riscos de contraparte por permanecer fora da exchange.
Os movimentos apontam para um mercado que avança em direções variadas, sem narrativa dominante, com capitais aguardando definição sobre os próximos passos.