Tesouro vende R$ 43 bilhões em títulos para conter alta dos juros após pânico no mercado

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O mercado de títulos públicos brasileiro enfrentou forte turbulência na sexta-feira, 13 de março de 2026, provocando um salto nas taxas de juros e obrigando o Tesouro Nacional a agir.

Na segunda (16) e na terça-feira (17), o órgão ligado ao Ministério da Fazenda ofertou R$ 43 bilhões em papéis federais na tentativa de estabilizar as cotações e dar saída a investidores pressionados por perdas. A operação, a maior intervenção desse tipo desde os momentos mais agudos da crise da Covid-19, buscou evitar que a desfuncionalidade dos preços se espalhasse pelo mercado.

A disparada dos rendimentos interrompeu a tendência de alívio nas condições financeiras observada desde agosto do ano passado. Grande parte dos investidores mantinha posições que apostavam em queda dos juros; com a inversão do cenário, os valores dos títulos caíram, gerando vendas forçadas e ampliando o movimento de pânico.

O episódio ocorre às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, marcada para quarta-feira, 18 de março. Cerca de 70% dos economistas e operadores ouvidos pelo mercado projetam corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 15% para 14,75%. Há um mês, esperava-se que a taxa pudesse recuar a 12% até dezembro, cenário agora considerado improvável.

Analistas atribuem a recente piora ao aumento da aversão global ao risco depois da escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o preço do petróleo e piorou perspectivas de inflação em várias economias. Embora o dólar não tenha subido de forma expressiva no Brasil, o choque incitou saída de capital de posições mais longas em títulos locais.

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Imagem: redir.folha.com.br

Com o avanço dos juros, o custo de financiamento do governo também sobe. Durante o pico de estresse, os próprios preços de referência usados pelo Tesouro para emitir dívida ficaram distorcidos, o que motivou a intervenção.

O comportamento dos rendimentos nas próximas semanas dependerá da intensidade dos ajustes monetários, do desenrolar do conflito no Oriente Médio e do apetite de investidores por risco. Por ora, o episódio acrescenta incerteza ao cenário econômico brasileiro no curto prazo.

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