Ranking revela contraste no saneamento brasileiro a sete anos da meta de universalização

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São Paulo – Faltando sete anos para o prazo de universalização do saneamento básico no país, o Brasil exibe cenários opostos entre os 100 maiores municípios, segundo o ranking 2024 do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, divulgado nesta quarta-feira (18).

Melhores e piores colocados

Franca (SP) lidera a lista, seguida por São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP) e Santos (SP). Na outra ponta aparecem Várzea Grande (MT), Rio Branco (AC), Porto Velho (RO) e, em último lugar, Santarém (PA).

Diferenças nos indicadores

Entre as 20 cidades mais bem avaliadas, a média de coleta de esgoto atinge 98%. Nos 20 piores municípios, o índice cai para 28%, diferença de 70 pontos percentuais. No abastecimento de água, o topo do ranking registra média de 99%, enquanto os piores alcançam 83%.

Porto Velho exemplifica o retrocesso: a cobertura de água passou de 35% em 2023 para 30,7% em 2024. De acordo com o estudo, mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a água potável, e quase 90 milhões (43% da população) vivem sem coleta de esgoto.

Pontuação máxima inédita

Pela primeira vez em 18 edições, os municípios líderes obtiveram pontuação máxima, combinando atendimento universal de água e esgoto com baixas perdas no sistema. Em contraste, cidades como Porto Alegre (RS) e João Pessoa (PB) caíram 14 posições devido à redução na cobertura de esgoto, piora na oferta de água e aumento das perdas.

Investimento desigual

O volume de recursos aplicados explica parte do abismo. Os 20 melhores municípios investem, em média, R$ 176 por habitante ao ano, enquanto os 20 últimos aplicam R$ 77. Rio Branco destina apenas R$ 9 anuais por morador.

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Imagem: redir.folha.com.br

“Com esse nível de investimento é difícil imaginar a universalização até 2033”, afirma Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil. Ela destaca que os municípios mais atrasados precisam elevar a coleta de esgoto dos atuais 28% para 90% no prazo previsto.

No total, 51 das 100 maiores cidades gastam menos de R$ 100 por habitante em saneamento, abaixo dos R$ 225 anuais estimados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) como necessários para cumprir a meta. Apenas 17 aplicam mais de R$ 200, e dez delas ultrapassam o patamar considerado de excelência pelo estudo.

Desigualdade regional

A maioria dos 20 municípios com melhor desempenho está nas regiões Sul e Sudeste, enquanto o Norte e o Nordeste concentram a maior parte dos piores colocados, evidenciando disparidades históricas no acesso a serviços de água e esgoto.

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