Selic recua para 14,75% e provoca ajustes pontuais em renda fixa, ações e fundos

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São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira (⚠️ inserir data original se houver; não fornecido) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. O ajuste, aguardado pela maior parte dos analistas, leva gestores a recalibrar carteiras, mas sem mudanças drásticas.

Renda fixa pública

Para Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, a indicação continua sendo comprar títulos do Tesouro Direto com foco em carregamento até o vencimento; eventual ganho de marcação a mercado seria extra.

Tesouro Selic segue como porto seguro enquanto os juros permanecem elevados. Já Tesouro IPCA+ aparece como proteção contra eventual aceleração inflacionária, sobretudo nos papéis de prazo longo, destaca Sérgio Samuel dos Santos, do Sistema Ailos.

No campo prefixado, Ian Lima, da Inter Asset, vê janela em papéis de cerca de três anos, que podem capturar o início do ciclo de queda dos juros.

Crédito privado

O alívio na Selic tende a comprimir spreads e valorizar ativos atrelados ao CDI de duração maior, avalia Gabriel Pereira, da Blox. Mesmo assim, a orientação é selecionar emissões de empresas com fluxo de caixa forte e endividamento controlado, diz Cristiano Luersen, da Wiser Investimentos.

Setores considerados defensivos – infraestrutura, energia renovável e saneamento – ganham preferência, e as debêntures incentivadas classificadas como AA ou AAA são apontadas como destaque.

Ações

No mercado acionário, a recomendação é equilibrar papéis defensivos com empresas mais expostas à economia doméstica. Com o Brent acima de US$ 100, Terra Investimentos mantém preferência por Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), comenta o analista Régis Chinchila.

Entre utilities, a Planner destaca Sabesp (SBSP3) e Copel (CPLE6), citando ganhos de eficiência operacional, segundo Mario Mariante.

Nos setores cíclicos internos, surgem oportunidades em Localiza (RENT3), Lojas Renner (LREN3) e Marcopolo (POMO4), acrescenta Chinchila.

Multimercados

Fundos que apostavam em corte de 0,50 ponto podem registrar impacto neutro ou ligeiramente negativo de curto prazo, afirma Ricardo Trevisan, da Gravus Capital. Se o ciclo de flexibilização continuar, o retorno tende a aparecer, mas em ritmo mais lento, observa.

A valorização dos combustíveis é fator de risco, pois pode reverter expectativas inflacionárias e alterar a curva de juros.

Fundos imobiliários

Nos FIIs de recebíveis, o efeito do novo patamar da Selic depende da proporção de títulos atrelados a CDI e IPCA. Cortes pequenos têm repercussão limitada, explica Alexandre Pletes, da Faz Capital.

Para os fundos de tijolo, o principal parâmetro continua sendo a curva de NTN-B; portanto, a queda atual de 0,25 ponto tem pouco impacto direto, ressalta João Arthur, da Suno Consultoria.

Marx Gonçalves, da XP, lembra que cortes maiores nas próximas reuniões poderiam beneficiar especialmente os fundos de tijolo, ainda que o movimento inicial já seja positivo para o setor.

BDRs e diversificação internacional

A decisão do Copom não altera de forma significativa o apetite por recibos de ações estrangeiras (BDRs), segundo João Arthur. A classe está mais ligada ao câmbio e ao interesse estrutural do investidor em diversificar fora do país.

Com juros elevados nos Estados Unidos, eventual fortalecimento do dólar pode compensar quedas das ações lá fora, observa a especialista Maressa Campos. Para ela, manter parte do patrimônio dolarizado continua fazendo sentido, mesmo com a renda fixa doméstica ainda atrativa.

Até o momento, profissionais do mercado consideram o corte de 0,25 ponto um primeiro passo, mas aguardam sinalizações do Banco Central nas próximas reuniões para definir movimentos mais contundentes de alocação.

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