São Paulo, – A ameaça representada por computadores quânticos para os detentores de Bitcoin é real, mas atinge apenas uma parcela específica das carteiras, concluiu o analista de pesquisa Will Owens, da Galaxy Digital, em relatório divulgado nesta quinta-feira.
Segundo Owens, um invasor equipado com capacidade quântica poderia extrair chaves privadas a partir de chaves públicas, possibilitando a falsificação de assinaturas e o roubo de fundos. No entanto, o perigo existe apenas quando a chave pública do usuário já está exposta na blockchain.
Isso coloca duas categorias de endereços sob potencial ameaça:
• carteiras cujas chaves públicas já são visíveis;
• carteiras que revelam a chave pública no momento do gasto.
O pesquisador rebate críticas de que desenvolvedores do Bitcoin Core estariam ignorando propostas sobre o tema, como a soft fork BIP 360. De acordo com o relatório, o ritmo de sugestões cresceu “de forma significativa desde o fim de 2025”, indicando atenção crescente ao assunto.
“Encontramos um conjunto concreto e em amadurecimento de propostas que estão sendo ativamente desenvolvidas, revisadas e debatidas pelos colaboradores mais experientes da rede”, afirmou Owens.
Imagem: cointelegraph.com
Outros participantes do setor também sugerem medidas de proteção. Em novembro passado, o analista Willy Woo recomendou manter Bitcoins em carteiras SegWit por vários anos como estratégia de mitigação.
Owens reconhece, porém, que a governança pode dificultar a adoção de uma solução definitiva: o Bitcoin não possui CEO, conselho ou autoridade central capaz de impor atualizações. Mesmo assim, ele ressalta que o caráter universal da ameaça alinha os interesses de mineradores, detentores e corretoras em preservar a segurança da rede.
Para investidores, o recado é direto: o risco quântico existe, é conhecido e já está sendo enfrentado pelos profissionais mais aptos a resolvê-lo.