A DeFi Technologies, empresa canadense voltada a produtos de finanças descentralizadas, começou a atuar no Brasil com o objetivo de capturar cerca de 3% dos ativos sob gestão do segmento regulado de criptoativos em um horizonte de três a cinco anos.
Para alcançar a meta, a companhia pretende colocar na B3 um portfólio variado de ETPs (Exchange Traded Products) relacionados a Web3, protocolos DeFi, estratégias de staking e cestas temáticas. Hoje, o mercado local concentra-se majoritariamente em veículos atrelados a Bitcoin e Ethereum.
Segundo o presidente-executivo Andrew Forson, o investidor brasileiro poderá acessar áreas do ecossistema cripto ainda indisponíveis no país. A Valour, subsidiária da DeFi Technologies, já distribui mais de 100 ETPs em bolsas internacionais, o que, na avaliação do executivo, confere vantagem competitiva.
A estratégia de expansão tem duas frentes.
1. Expansão do mercado: projeções internas indicam que o volume de criptoativos no Brasil deve saltar de US$ 53,9 bilhões em 2024 para US$ 123,9 bilhões em 2033, crescimento médio anual próximo de 10%. A empresa espera aproveitar essa evolução natural.
2. Concorrência direta: a Valour pretende disputar espaço com os principais provedores locais oferecendo uma gama maior de ETPs especializados, focando principalmente no investidor institucional.
No momento, o público brasileiro tem acesso ao BDR DEFT31, emitido pela própria DeFi Technologies, além de ETPs listados na B3 que acompanham Bitcoin (BTCV), Ethereum (ETHV), Solana (VSOL), XRP (XRPV) e Sui (VSUI). Forson destaca crescimento da demanda por ativos como Solana e XRP, bem como por produtos que permitam staking com rendimento dentro de estruturas reguladas.
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Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país movimentou US$ 318,8 bilhões em criptoativos, volume que representa um terço da atividade da América Latina e coloca o Brasil entre os cinco maiores mercados globais, conforme dados da Chainalysis citados pela empresa.
Além do tamanho do mercado, Forson ressalta a infraestrutura financeira local, exemplificada pela adoção do Pix, e a sofisticação da B3. Para ele, o apetite institucional por veículos regulados de exposição a ativos digitais cresce rapidamente, tornando o momento favorável para novos entrantes.
Apesar do histórico de mudanças regulatórias no país, a DeFi Technologies descarta aquisições para acelerar a entrada. “Nosso foco está em construir presença orgânica, por meio da listagem de BDRs, da ampliação do portfólio de ETPs da Valour e de parcerias com distribuidores, gestoras e plataformas de investimento”, afirma o CEO.
Com capital aberto nas bolsas Cboe Canada, Frankfurt e Nasdaq, a companhia pretende usar sua rede global para aproximar o mercado financeiro tradicional do universo cripto, papel em que o Brasil deve ter participação relevante, conclui Forson.