Filas extensas nos postos de inspeção da Administração de Segurança no Transporte (TSA) transformaram o fim de semana em um pesadelo para viajantes em diversos aeroportos norte-americanos. A paralisação parcial do Departamento de Segurança Interna (DHS), iniciada em 14 de fevereiro, obrigou agentes a trabalhar sem remuneração, provocando ausências em massa e atrasos que chegaram a ultrapassar três horas.
No Aeroporto Hartsfield-Jackson, em Atlanta, considerado o mais movimentado do mundo, o tempo de espera registrado na manhã de domingo (23) alcançou 153 minutos. Passageiros relataram que as filas contornavam a área de restituição de bagagens.
Segundo o DHS, mais de 400 funcionários da TSA pediram demissão desde o início da paralisação, e em mais da metade dos últimos sete dias pelo menos 10% do efetivo faltou ao trabalho. Em alguns terminais, como o William P. Hobby, em Houston, o índice ultrapassou 40% em determinados turnos, resultando no fechamento de pistas de inspeção e em variações bruscas nos tempos de espera.
O administrador-adjunto interino da TSA, Adam Stahl, alertou que a situação tende a piorar caso o Congresso não aprove verbas emergenciais para o DHS, podendo até levar ao fechamento temporário de aeroportos de menor porte.
Parlamentares republicanos divulgaram imagens das filas com a mensagem “agradeça a um democrata”, responsabilizando a oposição pelo impasse orçamentário. O ex-presidente Donald Trump classificou os democratas como “maior inimigo” do país e prometeu enviar agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) para auxiliar nos postos de inspeção, embora o ICE não possua treinamento específico para a função exercida pela TSA.
Imagem: Eric Mack FOXBusiness via foxbusiness.com
O secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou que os atrasos atuais podem parecer “brincadeira de criança” se os funcionários da TSA deixarem de receber outro contracheque. Autoridades recomendam que os passageiros cheguem aos aeroportos com, pelo menos, três horas de antecedência, inclusive em voos domésticos.
No sábado (22), o empresário Elon Musk se dispôs a custear os salários dos agentes durante o impasse, medida que dependeria de autorização governamental para ser aplicada.
Enquanto persiste o bloqueio de recursos, o aplicativo oficial “My TSA” permanece sem atualização desde 17 de fevereiro de 2026, limitando o acesso do público a dados confiáveis sobre tempos de espera. A incerteza no financiamento transforma o embate político em Washington em um problema concreto nas filas de segurança dos aeroportos norte-americanos.