NOVA YORK – O aumento do preço da gasolina nos Estados Unidos tem pressionado o orçamento doméstico, sobretudo entre famílias de menor renda, que passaram a recorrer com mais frequência a cartões de crédito e a modalidades “compre agora, pague depois” para equilibrar as contas, segundo relatório do Bank of America Institute.
Dados internos, agregados e anonimizados, mostram que famílias de baixa renda destinaram 4,2% de sua renda à compra de combustível em março, ante 3,9% no mesmo mês de 2023 – nível mais alto para o período desde 2022. A média nacional entre todas as faixas de renda ficou em 3,1%, frente a 2,8% um ano antes.
O levantamento indica ainda que 10% dos consumidores de menor renda gastaram mais de 10% do orçamento familiar com gasolina em março, proporção que cai para 6% entre os de renda mais alta.
A guerra envolvendo o Irã elevou o preço do barril de petróleo para acima de US$ 100, após meses oscilando na faixa de US$ 70. O repasse fez o valor médio do galão de gasolina ultrapassar US$ 4,50, de acordo com a AAA, aumento superior a 40%.
Embora significativo, o salto atual ainda não supera os picos registrados logo após a crise financeira de 2008 e na retomada pós-pandemia, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia pressionou o mercado em 2022.
Segundo o economista sênior do Bank of America Institute, David Tinsley, o rendimento dos americanos permite algum alívio, mas de forma desigual: salários subiram mais de 5% em 12 meses entre os de renda alta, contra 2% na faixa média e apenas 1% na baixa.
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Com a renda limitada, muitos consumidores ampliaram o uso do cartão de crédito, sem ultrapassar, por ora, o nível de endividamento observado antes da pandemia. Outro recurso é o “buy now, pay later”, cujas parcelas ajudam a distribuir despesas por alguns meses, embora ofereçam fôlego restrito, alerta Tinsley.
O estudo destaca que, graças a restituições de imposto de renda cerca de 10% maiores que no ano passado, as famílias mantêm depósitos aproximadamente 10% superiores ao período pré-pandemia. Esse colchão de poupança pode amortecer parte do choque dos combustíveis no curto prazo.
Apesar dos mecanismos de proteção, o Bank of America Institute conclui que o avanço dos preços nas bombas continua pesando mais para quem tem menos margem de manobra no orçamento.