NOVA YORK, 25 de março de 2024 – O presidente-executivo da BlackRock, Larry Fink, afirmou em sua carta anual aos investidores que a rápida expansão da inteligência artificial (IA) tende a concentrar ainda mais ganhos financeiros nas mãos de empresas e investidores já abastados, aprofundando a distância entre ricos e o restante da população.
Segundo Fink, “muita gente fica de fora” quando o valor de mercado cresce, mas a base de proprietários permanece restrita. Ele destacou que a significativa prosperidade gerada nas últimas gerações beneficiou principalmente quem já possuía ativos financeiros e advertiu que a IA pode repetir esse fenômeno em escala maior.
Para ampliar o acesso aos potenciais ganhos, o executivo de 73 anos defendeu mudanças no sistema de Previdência Social dos Estados Unidos. Hoje, os benefícios começam aos 62 anos e a idade de aposentadoria integral para nascidos após 1960 é 67 anos.
Fink disse não apoiar a privatização total da Previdência nem a aplicação de todos os recursos em ações, mas sugeriu discutir formas de diversificar os investimentos atualmente concentrados em títulos do Tesouro norte-americano. Na avaliação dele, sem reformas, o programa corre o risco de não cumprir o que promete aos contribuintes.
O chefe da maior gestora de recursos do mundo, com mais de US$ 14 trilhões sob administração, previu que a IA transformará o mercado de trabalho, criando novas funções e eliminando outras, ao mesmo tempo em que gerará valor econômico expressivo.
Ele também apontou crescente demanda por energia causada pela expansão de data centers, defendendo uma matriz diversificada que inclua gás natural, energia nuclear e solar. Segundo Fink, a energia solar é uma das fontes de mais rápida implantação e custos em queda na última década.
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A BlackRock ampliou sua atuação em inteligência artificial, data centers e infraestrutura energética por meio de parcerias com grandes empresas de tecnologia. Em 2023, investidores liderados pela gestora e pela Global Infrastructure Partners (GIP) concordaram em comprar a Aligned Data Centers por US$ 40 bilhões, um dos maiores negócios de infraestrutura do grupo.
Nos últimos anos, a BlackRock destinou aproximadamente US$ 28 bilhões para aquisições, incluindo a própria GIP, a especialista em crédito privado HPS Investment Partners e a fornecedora de dados Preqin, reforçando a estratégia de expansão em mercados privados.
Fink mencionou ainda o impulso regulatório nos EUA para permitir a inclusão de ativos privados nos planos de aposentadoria 401(k) e defendeu a atualização do arcabouço existente, de forma que mercados tradicionais e tokenizados operem de maneira integrada.
A carta deste ano mantém a tradição iniciada há mais de uma década, na qual Larry Fink utiliza o documento anual para comentar temas que considera centrais ao futuro dos mercados financeiros.