Os fundos de investimento do FGTS que aplicam exclusivamente em ações ordinárias da Petrobras acumulam valorização superior a 50% no ano até 19 de março, impulsionados pela escalada dos preços do petróleo após a eclosão do conflito no Oriente Médio. No mesmo intervalo, o Ibovespa avança 11,88%.
Somente em março, até a última quinta-feira (19), a carteira desses fundos sobe cerca de 20%, enquanto o principal índice da B3 recua 4,51%. O desempenho reflete a alta das ações da estatal, que acompanham a commodity: o Brent registra valorização de 66% no ano, apesar da retração de quase 10% verificada na segunda-feira, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou suspender ataques ao Irã e iniciar negociações.
Dados da Economática mostram que, entre os produtos disponíveis, os ganhos variam pouco. Veja os principais resultados acumulados até 19 de março:
O cenário é menos favorável para as carteiras lastreadas em Vale e Axia/Eletrobras:
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o prêmio de risco geopolítico elevou o preço do petróleo e favoreceu as empresas produtoras de energia. Além disso, a Petrobras apresenta geração robusta de caixa, expectativa de dividendos elevados e disciplina de investimentos, o que levou a uma reprecificação de suas ações depois de um período de desconto significativo.
Imagem: REUTERS via infomoney.com.br
Como os fundos do FGTS replicam fielmente o comportamento dos papéis da companhia, qualquer variação expressiva na cotação impacta diretamente a rentabilidade dos cotistas.
Lima alerta para alta volatilidade no curto prazo. Caso o conflito se intensifique, o petróleo pode continuar sustentado; já uma acomodação geopolítica tende a reduzir o prêmio incorporado nos preços. No âmbito doméstico, política de dividendos, interferência estatal e ciclo eleitoral também influenciam o desempenho das ações.
Os fundos FGTS Vale dependem mais do ciclo global de commodities, sobretudo da demanda chinesa por minério de ferro. Já os produtos ligados à Axia/Eletrobras oferecem perfil considerado mais defensivo, com fluxo de caixa previsível e menor exposição a choques geopolíticos, ainda que sujeitos ao ambiente regulatório e ao custo de capital.