O Exército dos Estados Unidos recebeu o primeiro helicóptero Black Hawk projetado para operar com ou sem piloto a bordo, inaugurando uma nova etapa no programa de modernização da aviação militar.
Batizado de UH-60MX, o modelo foi desenvolvido em parceria com a Sikorsky, subsidiária da Lockheed Martin, e agora passará por uma série de avaliações intensivas conduzidas pelo Army Combat Capabilities Development Command. O objetivo é integrar sistemas autônomos à frota futura e reduzir a exposição de soldados a ambientes de alto risco.
Equipado com sistemas de voo avançados, o UH-60MX pode atuar de três formas: como helicóptero convencional, como aeronave opcionalmente pilotada ou de maneira totalmente autônoma, controlada remotamente a partir do solo.
O núcleo da autonomia vem do ALIAS (Aircrew Labor In-Cockpit Automation System), iniciativa da DARPA iniciada há mais de dez anos para simplificar operações de voo e aumentar a segurança. Integrado ao programa, o pacote MATRIX da Sikorsky funciona como um copiloto digital capaz de executar decolagem, navegação e pouso, identificar zonas de aterrissagem, desviar de obstáculos e atuar em condições de baixa visibilidade, aliviando a carga de trabalho dos tripulantes.
O helicóptero também adota comando fly-by-wire, que substitui controles mecânicos por eletrônicos, proporcionando maior precisão em situações adversas.
Durante a campanha de ensaios, engenheiros e pilotos verificarão o desempenho do Black Hawk em missões reais, incluindo operações remotas e autônomas. O projeto integra o programa Strategic Autonomy Flight Enabler, que busca desenvolver um kit de autonomia escalável para toda a frota Black Hawk.
Imagem: Michael Dorgan FOXBusiness via foxbusiness.com
A entrega do UH-60MX representa a transição de testes experimentais para avaliações operacionais. Em 2022, um Black Hawk sem tripulação já havia completado um voo de 30 minutos, demonstrando a viabilidade da tecnologia. Segundo o Exército, sistemas semelhantes acumularam centenas de horas de voo em modelos anteriores.
“Essa capacidade aumentará a eficácia das missões e a sobrevivência dos combatentes hoje, além de preparar o caminho para os sistemas em rede do futuro”, afirmou Rich Benton, vice-presidente e gerente-geral da Sikorsky, em comunicado.
O objetivo de longo prazo é permitir que helicópteros realizem operações com supervisão humana mínima, transformando a forma como o Exército conduz ações de combate e de apoio.