Re.green arremata primeiro leilão federal de reflorestamento sem concorrência

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São Paulo – A Re.green foi a única participante do primeiro leilão federal de restauração florestal, realizado nesta quarta-feira (25) na B3, em São Paulo, e assumirá a recuperação de aproximadamente 59 mil hectares da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Porto Velho (RO), por 40 anos.

Como contrapartida, a empresa poderá comercializar cerca de 1,5 milhão de créditos de carbono – cada crédito equivale a uma tonelada de CO₂ retirada da atmosfera. O segundo lote oferecido, com 39,27 mil hectares, não recebeu propostas.

Condições da proposta

O lance da Re.green atingiu o teto nos quesitos técnicos do edital. Na outorga variável, a companhia ofereceu 0,7% da receita bruta obtida com a venda dos créditos, ligeiramente acima do mínimo exigido de 0,69%. A terra permanece sob domínio da União.

Para gerir o contrato, será criada uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). Embora valores fixos não tenham sido divulgados, a estimativa do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) é de investimento superior a R$ 2 milhões ao ano durante todo o período da concessão, considerando inclusive a área que ficou sem lance.

Mercado ainda restrito

A ausência de competidores frustrou as expectativas do governo sobre o interesse no mercado voluntário de carbono. Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o caráter inédito do modelo explica a baixa adesão, fenômeno semelhante ao observado no início das concessões florestais em 2006.

Marina citou ainda um “medo conjuntural” ligado à segurança jurídica e à continuidade de apoio financeiro a longo prazo. O diretor-geral do SFB, Garo Batmanian, acrescentou que poucas empresas no país atuam simultaneamente em restauração e geração de crédito de carbono, a maioria em estágio de startup.

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Imagem: redir.folha.com.br

Estrutura e desafios

O CEO da Re.green, Thiago Picolo, informou que a decisão de participar veio após consultas a compradores de créditos, acionistas e consultorias. Ele destacou a complexidade do projeto, agravada por áreas desmatadas ilegalmente dentro da floresta, o que demandará infraestrutura adicional.

“Esperamos criar a receita de bolo para que outras empresas ingressem nas próximas concessões com mais facilidade”, afirmou.

A Re.green tem entre seus cofundadores o empresário João Moreira Salles e conta com o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga no conselho de administração.

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