A intensificação da guerra entre Estados Unidos e Irã, que já provocou disparada no preço do petróleo, ameaça agora contaminar o mercado de commodities agrícolas. A avaliação é de Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, para quem o cenário combina riscos logísticos, encarecimento de insumos e um possível enfraquecimento estrutural do dólar.
Segundo Spiess, “todas as commodities estão subindo; as agrícolas são a última peça que falta reagir”. A percepção dele vai além do conflito no Oriente Médio e aponta para um novo ciclo de alta sustentado por fundamentos macroeconômicos.
Entre os fatores citados estão:
No curto prazo, o conflito já afeta a cadeia de fertilizantes. A Rússia suspendeu por 30 dias as exportações desses produtos para priorizar o mercado interno, enquanto rotas pelo Golfo Pérsico sofrem restrições e o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um terço do comércio global do setor antes da guerra, enfrenta gargalos.
Para o Brasil, o impacto é direto: aproximadamente 40% dos fertilizantes usados no agronegócio chegam via aquela região. A ureia, principal insumo nitrogenado, acumula alta de cerca de 50% desde o início das hostilidades, impulsionada também pelo aumento do custo do gás natural.
Spiess alerta que o encarecimento de fertilizantes tende a pressionar os preços dos alimentos, elevando o risco de inflação no Ocidente. Nos Estados Unidos, o tema ganha relevância política em ano de eleição de meio de mandato, cenário no qual o presidente Donald Trump não pode “se dar ao luxo” de ver a popularidade cair, afirma o analista.
Imagem: Seu Dinheiro via moneytimes.com.br
Ele destaca, ainda, a vulnerabilidade de infraestrutura crítica do Oriente Médio. A região depende do Estreito de Ormuz para recebimento de comida e água, e possui usinas de dessalinização consideradas alvo fácil. Um eventual ataque poderia provocar crise humanitária imediata.
Para investidores, Spiess recomenda reduzir exposição direta à volatilidade das cotações e privilegiar companhias do setor que geram fluxo de caixa. Entre as alternativas, ele cita o ETF CMDB11, que replica uma carteira diversificada de empresas brasileiras intensivas em commodities — cerca de 40% ligada a petróleo e gás —, com baixo custo e liquidez de resgate em torno de dois dias.
Na visão do analista, países exportadores como o Brasil podem se beneficiar caso um novo ciclo altista se confirme.