Nova York (EUA), 25 de março de 2026 – A juíza-chefe Laura Taylor Swain, da Corte Distrital dos Estados Unidos em Manhattan, arquivou nesta segunda-feira (25) a ação coletiva que alegava conluio entre a Fanatics, as ligas NFL, NBA e MLB, suas associações de jogadores e a empresa OneTeam para monopolizar o mercado de cartões colecionáveis.
O processo, movido em março de 2025 por cinco colecionadores – Robert Scaturo, Scott Bubnick, Joseph Davidov, Steven Mardakhaev e Jonathan Madar –, afirmava que o grupo elevava artificialmente os preços dos cards, lesando consumidores em todo o mundo.
Na decisão, Swain escreveu que “nenhum dos autores demonstrou ter pago, ou estar prestes a pagar, valor superior pelo produto dos réus”. Segundo a magistrada, não havia indícios de que os demandantes tivessem adquirido cards fabricados pelos acusados antes da ação, nem provas de iminente prejuízo.
O tribunal destacou que, quando a ação foi protocolada, a Panini – concorrente direta da Fanatics – ainda detinha as licenças de NFL e NBA. A Topps, comprada pela Fanatics em 2022 por aproximadamente US$ 500 milhões, só passou a produzir cards licenciados da NBA em outubro de 2025, e o direito sobre a NFL só migrará para a Topps em abril deste ano. “Era impossível que qualquer consumidor adquirisse tais cartões dos réus antes do ajuizamento”, registrou Swain.
Sobre a alegação de preços abusivos em cards da MLB, a juíza avaliou que os autores não demonstraram se a diferença de valores se devia a custos de produção, qualidade do produto ou a suposta conduta anticompetitiva. O comparativo apresentado usava apenas uma tabela entre cards licenciados da Topps e produtos não licenciados da Panini.
Em nota, a Fanatics declarou que a acusação “sempre foi infundada”, pois a empresa “foi acusada de aumentar preços de cards que nem sequer produzia”. A companhia celebrou a decisão por considerar que o tribunal reconheceu a falta de legitimidade dos autores.
Imagem: Scott Thompson FOXBusiness via foxbusiness.com
O advogado dos colecionadores, John Radice, disse à imprensa que seus clientes “estão analisando a decisão, proferida sem prejuízo, e avaliando todas as opções”.
Apesar do arquivamento da ação coletiva, segue em tramitação o processo antitruste em que a Panini acusa a Fanatics de práticas monopolistas após a perda das licenças exclusivas da NBA e da NFL. A Fanatics, por sua vez, moveu uma contrademanda alegando que a rival adotou “campanha prolongada e ilícita” para obrigá-la a pagar altos valores pelo término antecipado de contratos em 2022.
Com o cronograma atual de licenças, a Fanatics passará a deter, a partir de abril de 2026, direitos exclusivos também sobre NBA, NFL, MLB, Premier League, Fórmula 1 e WWE.