O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump atacou publicamente dois ministros da Suprema Corte que ele mesmo indicou — Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett — depois de ambos integrarem a maioria que derrubou, no mês passado, o uso de uma lei de emergência para impor tarifas amplas sobre importações.
Falando em um jantar do National Republican Congressional Committee, em Washington, Trump afirmou que a decisão da Corte “custou centenas de bilhões de dólares” ao país. Sem citar nomes, declarou que “dois dos que votaram nisso eu indiquei e eles me enojam. Eles são ruins para o nosso país”.
Por 6 votos a 3, o Supremo concluiu que a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) não autoriza o presidente a decretar tarifas abrangentes. O voto que expressou a posição majoritária foi redigido pelo presidente da Corte, John Roberts.
O caso avaliava a legalidade das chamadas “tarifas do Dia da Libertação”, anunciadas por Trump em abril passado com o objetivo declarado de reduzir desequilíbrios comerciais e a dependência de produtos estrangeiros.
Em evento na Rice University realizado no início do mês, Roberts alertou para o crescimento de retórica hostil contra juízes. Segundo ele, críticas a decisões são legítimas, mas ataques pessoais podem se tornar “perigosos”.
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Dados do Tesouro apontam que a arrecadação com tarifas subiu de US$ 9,6 bilhões em março para US$ 23,9 bilhões em maio. No ano fiscal de 2025, o montante chegou a US$ 215,2 bilhões e continua aumentando no exercício de 2026.
Após a derrota no tribunal, Trump anunciou nova tarifa global de 10% com base na Seção 122, acrescentada às alíquotas já existentes.
Trump já havia manifestado decepção com a Suprema Corte em outras ocasiões e disse sentir-se “envergonhado” de alguns de seus integrantes por “não terem coragem de fazer o que é certo para o país”.