Inverno rigoroso derruba número de viagens e produção de lagosta no Maine chega ao menor patamar desde 2008

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PORTLAND, Maine – A indústria da lagosta no Maine enfrenta um dos períodos mais difíceis dos últimos anos. Um inverno excepcionalmente frio reduziu drasticamente o tempo de pesca, provocou queda na captura e agravou custos já elevados, segundo dados oficiais divulgados pelo Departamento de Recursos Marinhos do estado (DMR).

Queda consecutiva na produção

Em 2025, o Maine – maior produtor de lagosta dos Estados Unidos – registrou o quarto ano seguido de retração na produção. As descargas totalizaram pouco mais de 78 milhões de libras, o volume mais baixo desde 2008.

O DMR informa que os pescadores realizaram mais de 21 mil viagens a menos em 2025 em comparação com 2024. As condições extremas chegaram a impedir a saída dos barcos durante metade dos dias usuais nos meses de inverno.

Temperaturas abaixo de zero afastam os barcos

O lobsterman Greg Turner relata que, em dezembro, período em que normalmente há muitas jornadas no mar, a frota ficou parada boa parte do tempo. “Se a sensação térmica é de –25 °C e algo dá errado, você não volta”, disse. O frio também reduz a atividade dos crustáceos, que se alimentam menos e se movem pouco, limitando ainda mais as capturas.

Receita alta não garante lucro

Apesar das adversidades, a pesca comercial gerou mais de US$ 600 milhões em 2025, 14º ano consecutivo acima de US$ 500 milhões. O preço médio pago ao barco manteve-se relativamente firme em US$ 5,85 por libra, mas pescadores afirmam que a margem de lucro encolheu diante de inflação, tarifas e mercado instável.

Inverno rigoroso derruba número de viagens e produção de lagosta no Maine chega ao menor patamar desde 2008 - Imagem do artigo original

Imagem: Kailey Schuyler FOXBusiness via foxbusiness.com

Alexa Dayton, diretora-executiva do Maine Center for Coastal Fisheries, afirma que os preços na doca precisam subir para sustentar a atividade. A entidade conduz uma pesquisa de custos com centenas de lobstermen; respostas preliminares mostram que muitos conseguiram sair apenas cinco dias por mês neste inverno, contra os 15 dias considerados ideais.

Custos disparam

Os insumos também pesam. Dayton aponta aumento de cerca de 350% no preço das iscas desde 2010. “Isso passou a ser um fator determinante no que sobra no fim do dia”, afirma.

Efeito nas comunidades costeiras

A pressão financeira avança além dos trapiches. Em algumas localidades, até 80% da atividade econômica depende da pesca, segundo a pesquisa do centro. Como a maioria dos pescadores opera de forma independente, sem respaldo de grandes empresas, oscilações de custo e perda de dias no mar afetam diretamente a renda das famílias e o comércio local.

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