Um grupo restrito de fundos multimercados, principalmente os de estratégia long short e quantitativos, conseguiu atravessar a turbulência provocada pela guerra no Irã em março com desempenho superior ao restante da indústria. A diferença esteve na decisão de reduzir ou não o risco logo nos primeiros dias do conflito.
“Cada dia trazia informações novas que exigiam atualização das posições”, explicou Alexandre Aagesen, gestor de portfólio da XP Advisory, no programa Stock Pickers – Carteiros do Condado, apresentado por Lucas Collazo e Davi Fontenele. Segundo Aagesen, alguns gestores acreditaram, inicialmente, que o embate seria breve e mantiveram as posições; no dia seguinte, com a escalada da tensão, foram forçados a enxugar a exposição.
As cartas mensais dos gestores, divulgadas no início de março, já indicavam o posicionamento de cada casa. Quem avaliava que o conflito seria longo e sério entrou no mês menos alavancado. Gestores que projetavam um episódio passageiro, comparável à tentativa de captura de Nicolás Maduro na Venezuela, demoraram mais para agir e sentiram o impacto nas cotas.
No universo dos fundos macro, o Verde, de Luiz Stuhlberger, segue acima do CDI no acumulado de 2024. O fundo, ativo desde 2008, sofreu no mês mas ainda exibe retorno robusto em 12 meses, superior ao CDI de 14,75% ao ano. Fontenele observa que Stuhlberger “zerou risco mais rápido que concorrentes” e contava com gordura acumulada, o que resultou em performance aproximada de CDI + 1% no ano, mesmo após registrar CDI – 1% no pior momento.
Entre os fundos long short, nomes como Solana, Atmos Red, Constância Absoluta e AzQuest Base figuram entre os que melhor defenderam o patrimônio. A carta da AzQuest era a mais pessimista em relação ao conflito e o produto acumula ganho de 1% em março.
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Nas carteiras quantitativas, estratégias como Ace Macro Cenários e Kadima permanecem bem acima do CDI em 2024. O levantamento apresentado no programa indica que a diversificação de abordagens foi essencial para mitigar as perdas durante a crise.
Enquanto isso, negociações entre Estados Unidos e Irã, envolvendo propostas de cessar-fogo de 30 dias e um plano de 15 pontos para encerrar a guerra, continuam no radar dos mercados, mantendo o cenário de incerteza no curto prazo.