Quatro fatores impulsionam interesse estrangeiro pelo Brasil, apontam gestores

Investidores internacionais mantêm o Brasil no radar graças a uma combinação de elementos que, segundo gestores de recursos, garante fluxo de capital mesmo em meio a choques externos. O argumento foi detalhado por Andrew Reider, sócio e gestor do fundo WHG Long Biased, durante o programa Aftermarket, do Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo. Também participaram Leonardo Linhares, head de Ações da SPX Capital, e Christian Keleti, CEO da Alpha Key.

Quatro pilares de atração

1. Base de commodities – Reider destacou que o país dispõe de ativos reais — terras, minérios, energia e infraestrutura — fundamentais em um ciclo global de investimentos físicos impulsionado pela inteligência artificial (IA). “A correlação do real com commodities é muito alta”, afirmou.

2. Juros altos com espaço para queda – O gestor avalia que a IA tende a gerar uma pressão desinflacionária mundial, o que deve derrubar taxas básicas em diversas economias. Nessa hipótese, países que hoje operam com juros elevados, como o Brasil, podem reduzir custos de financiamento e ver a moeda se valorizar.

3. Energia limpa para data centers – Data centers voltados à IA demandam grande volume de eletricidade, preferencialmente renovável. Com uma das matrizes mais limpas do planeta e potencial de expansão, o Brasil poderia atrair esses empreendimentos e “exportar” energia verde em forma de processamento de dados, sugeriu Reider.

4. Distância de tensões geopolíticas – Conflitos no Oriente Médio, disputas entre China e Taiwan e pressões sobre a Europa elevam o risco em outras regiões. O Brasil, geograficamente distante, surge como alternativa mais segura, resumiu o gestor: “O país meio que só tem prós”.

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Imagem: infomoney.com.br

Pontos de cautela

Apesar do otimismo estrutural, Linhares ponderou que a continuidade da alta na Bolsa depende de melhorias internas. Para ele, a recente escalada dos juros devido à guerra no Oriente Médio reduziu o espaço para cortes na Selic: “Acho que vamos terminar o ano com juros maiores do que esperávamos”. Juros elevados por mais tempo estreitam o prêmio de risco entre ações e títulos públicos, tornando a renda variável menos atraente ao investidor local.

Keleti apontou o calendário eleitoral — com pleito em seis meses — como possível catalisador de mudanças, visão endossada por Linhares. Reider, porém, frisou a diferença entre narrativa e execução: embora o Brasil detenha a segunda maior reserva de terras raras e potencial para abrigar grandes data centers, viabilizar esses projetos ainda é um desafio.

Ao final, os três gestores concordaram que o fluxo estrangeiro é consistente e que os fundamentos de médio prazo favorecem o país. Converter essa vantagem em retornos sustentáveis, contudo, dependerá de ajustes domésticos que escapam ao alcance dos investidores internacionais.

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