NOVA YORK, – O presidente e CEO da BlackRock, Larry Fink, afirmou em sua carta anual aos acionistas que a desigualdade de renda tende a se agravar caso a população não tenha maior acesso aos mercados de capitais, sobretudo diante da rápida expansão da inteligência artificial (IA).
Segundo Fink, desde 1989 cada dólar aplicado no mercado acionário norte-americano se valorizou mais de 15 vezes em relação a um dólar vinculado ao salário mediano. Para ele, a IA deve repetir esse padrão “em escala ainda maior”, concentrando riqueza em empresas e investidores com dados, infraestrutura e capital suficientes para explorar a nova tecnologia.
O executivo observou que ainda é incerto como a adoção de IA afetará a força de trabalho, especialmente funções administrativas de nível inicial. Ele lembrou que, historicamente, a automação aumenta a produtividade e, com o tempo, gera novas ocupações, embora a transição entre empregos nem sempre seja imediata.
Fink defendeu a ampliação da participação popular no mercado financeiro como forma de distribuir os ganhos da IA. Entre as iniciativas citadas estão as chamadas “Trump Accounts”, contas de investimento abertas para recém-nascidos, abastecidas por recursos públicos, doações filantrópicas e contribuições dos pais, aplicadas em um índice amplo de ações dos Estados Unidos. O modelo também pode ser criado para menores de 18 anos, ficando sob custódia de um responsável até a maioridade.
Para o CEO, mecanismos semelhantes poderiam ser usados em programas como a Previdência Social norte-americana, que enfrenta risco de insolvência dentro de aproximadamente dez anos.
Imagem: Eric Revell FOXBusiness via foxbusiness.com
Durante a divulgação da carta, os papéis da BlackRock (BLK) encerraram o pregão a US$ 981,35, avanço de 0,54% ou US$ 5,29.
“A questão central é quem participa dos ganhos”, escreveu Fink. “Quando a capitalização de mercado cresce, mas a propriedade permanece restrita, a prosperidade parece cada vez mais distante para quem fica de fora.”