Os contratos futuros do açúcar bruto negociados na bolsa ICE tocaram, nesta quinta-feira (26/03/2026), o maior patamar em cinco meses. O vencimento mais ativo avançou 0,32 centavo, ou 2,1%, para 15,87 centavos de dólar por libra-peso, após atingir 15,97 centavos durante a sessão.
A escalada acompanha a retomada da alta do petróleo, fator que pode levar usinas de cana no Brasil e em outros países a destinar mais matéria-prima para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar.
A consultoria Safras & Mercado projeta queda de 14,2% nas exportações brasileiras de açúcar na temporada 2026/27, consequência da maior atratividade do etanol diante dos preços elevados da energia.
De acordo com a AP Commodities, apesar da pressão decorrente de excedentes moderados e vendas especulativas robustas, o adoçante pode registrar novas recuperações em função da sensibilidade a eventos climáticos e à dinâmica do etanol. A consultoria observa que o volume de posições vendidas por especuladores continua elevado, o que amplia o risco de ajustes caso essas apostas permaneçam negativas por muito tempo.
Açúcar branco subiu 1,2%, para 459,60 dólares a tonelada.
Café arábica recuou 8,45 centavos, ou 2,7%, a 3,0765 dólares por libra-peso, depois de ter tocado 3,1950 dólares, máxima de sete semanas, na terça-feira.
Imagem: Reuters via moneytimes.com.br
A trader Sucafina informou que o fenômeno El Niño deve se formar globalmente por volta do terceiro trimestre, trazendo tempo seco e temperaturas mais altas até o início de 2027 em regiões tropicais produtoras de café e cacau.
Café robusta caiu 0,9%, para 3.596 dólares a tonelada. No Vietnã, maior produtor da variedade, agricultores seguram vendas, enquanto negociantes que precisam honrar contratos buscam grãos no Brasil e na Indonésia.
No mercado de cacau, Londres fechou com alta de 28 libras, ou 1,2%, a 2.356 libras por tonelada. Em Nova York, o produto avançou 1%, para 3.164 dólares a tonelada, após queda de 3,2% na sessão anterior.
O cacau segue pressionado pela demanda fraca e pela perspectiva favorável para as safras da África Ocidental, cenário que já estaria amplamente precificado.