O fundador e gestor da Genoa Capital, André Raduan, afirmou que o Estreito de Ormuz pode voltar a operar normalmente dentro de um a dois meses. A avaliação foi apresentada no programa Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo, em meio às incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio.
Segundo Raduan, há indícios de desgaste militar do Irã, que vem reduzindo o número de drones e mísseis lançados. Ele destacou ainda que Teerã depende das mesmas rotas marítimas bloqueadas, o que limita o interesse do país em prolongar o fechamento da passagem.
Do lado norte-americano, o gestor argumenta que o governo de Donald Trump possui motivação política para solucionar rapidamente a crise energética. Com as eleições de meio de mandato se aproximando e a popularidade do presidente em queda, normalizar o fluxo de petróleo seria prioridade para a Casa Branca.
Raduan contextualizou que o barril de petróleo rondando US$ 100 provoca um choque de oferta clássico: inflação em alta e desaceleração da atividade. No entanto, ele acredita que a maioria dos bancos centrais adota postura de “look through”, evitando elevações agressivas de juros. A exceção pode ser a Europa, onde a inflação segue acima da meta há mais tempo.
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Para o gestor, preços entre US$ 80 e US$ 90 no curto prazo — com recuo para US$ 60 ou US$ 70 no médio prazo — seriam suficientes para acalmar os mercados. Com a curva futura invertendo, bancos centrais visualizam alívio e não precisam apertar tanto a política monetária.
Nesse cenário, a Genoa Capital opta por reduzir alavancagem, concentrar-se em posições de juros e moedas e diminuir exposição direta a commodities. “Normalmente, combinar venda de juros com compra de call de petróleo acaba gerando mais problema”, concluiu Raduan.