A trajetória de redução da Selic deve ser menos acelerada do que o mercado projetava no início do ano. A avaliação foi feita por economistas e gestores que participaram do FII Experience, realizado na última semana de março no Cubo Itaú, em São Paulo.
O cenário internacional — marcado por conflitos geopolíticos e alta nas cotações do petróleo — reforçou a incerteza sobre a política monetária, segundo os participantes do evento.
Para Brunno Bagnariolli, chief investment officer da estratégia imobiliária da JiveMauá, o mercado se adiantou ao precificar cortes mais profundos nos juros. “Houve uma valorização sustentada por expectativas otimistas; com a revisão, veio a correção”, disse. Ele comparou o movimento a um “paredão falso”, ressaltando que a queda recente abre novas oportunidades porque os fundamentos permanecem sólidos.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Asset, acredita que o Banco Central ainda tem espaço para continuar o ciclo de afrouxamento, porém em ritmo moderado. A casa projeta redução de 0,25 ponto percentual na reunião de abril, seguida de cortes de 0,5 ponto, levando a Selic a 12,5% ao ano em dezembro.
Mesmo com o ambiente macroeconômico mais desafiador, Bagnariolli classifica o crédito imobiliário como “transatlântico” capaz de atravessar mares agitados. Segundo ele, a estrutura de garantias reduz o risco estrutural: caso um inquilino enfrente dificuldades, o imóvel pode ser realocado.
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O gestor lembrou que o setor já superou choques maiores, como a pandemia de Covid-19, que afetou diretamente os imóveis. Hoje, o impacto está concentrado nos inquilinos e empresas, num contexto de juros mais altos atrelados ao CDI, acrescentou.
Mesmo com maior volatilidade no curto prazo, os especialistas veem o ciclo de cortes — ainda que mais lento — como positivo para ativos de renda variável, incluindo os fundos imobiliários de “papel”.