A Bitfarms encerrou o pregão de terça-feira com alta de 6,64%, cotada a 2,73 dólares canadenses (US$ 1,96), mesmo após divulgar prejuízo líquido de US$ 284,5 milhões no ano fiscal de 2025.
De acordo com o balanço anual, a receita cresceu 72% em comparação a 2024, alcançando US$ 229 milhões. O avanço, porém, foi superado por um custo de receita de US$ 248 milhões, resultando em prejuízo bruto. Despesas gerais e administrativas também aumentaram ano a ano.
A empresa registrou perda de US$ 50,5 milhões na variação do valor justo de ativos digitais, revertendo o ganho de US$ 26 milhões anotado em 2024. Esse impacto foi parcialmente compensado por ganho realizado de US$ 28,2 milhões na venda de criptomoedas.
A queda de 46% no preço do Bitcoin desde o pico de outubro e o aumento de 58,5% na dificuldade de mineração desde o halving de maio de 2024 pressionaram as margens do setor, o que contribuiu para o resultado negativo.
Na teleconferência de resultados, o CEO Ben Gagnon afirmou que a Bitfarms iniciou em novembro uma mudança completa do negócio de mineração de Bitcoin para serviços de computação de alta performance (HPC) e inteligência artificial (IA). A companhia pretende adotar o novo nome Keel Infrastructure a partir de quarta-feira e já obteve aprovação dos acionistas para transferir sua sede legal do Canadá para os Estados Unidos.
Imagem: cointelegraph.com
Mesmo com a reestruturação, a empresa mantém aproximadamente US$ 161 milhões em Bitcoin sem ônus. Segundo Gagnon, toda a estrutura criada em 2025 — incluindo sites, equipe e balanço — visa atender à “demanda exponencial” por infraestrutura de IA.
O plano da Bitfarms prevê um pipeline de 2,2 gigawatts em infraestrutura digital na América do Norte para atender hyperscalers e “neoclouds”, segmentos considerados estratégicos para a próxima onda de aplicações de IA.
Além da Bitfarms, outras mineradoras de Bitcoin vêm buscando margens mais altas no segmento de IA e HPC: Iris Energy amplia serviços em nuvem com GPUs Nvidia; Cipher Mining fechou acordo de hospedagem de longo prazo com a Fluidstack; Riot Platforms e MARA Holdings também expandem operações na área.