A XP (XPBR31) negocia hoje em Nova York por menos de dez vezes o lucro estimado para 2024 e, na avaliação do gestor André Caldas, sócio e CIO da Springs Capital, essa precificação não reflete o potencial da companhia. Em entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, Caldas afirmou que a corretora tende a passar por um re-rating relevante assim que começar um ciclo de cortes na taxa de juros.
“O curto prazo ainda é desafiador, mas, em um ambiente de juros mais baixos e retomada do apetite por risco, o papel deve reprecificar”, disse o gestor. Segundo ele, investidores que aguardarem a virada do ciclo podem perder “o movimento mais relevante do setor”.
Para Caldas, o avanço da XP no atendimento direto ao cliente — reduzindo a dependência de agentes autônomos — é um dos pontos menos considerados pelos analistas. A estratégia elimina intermediários, diminui possíveis conflitos de interesse e melhora a qualidade do net new money, argumentou.
O executivo também destacou o ganho de sofisticação da área de private banking da companhia. No segmento de patrimônio entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões, XP e BTG Pactual disputam espaço oferecendo atendimento personalizado e produtos diferenciados, afirmou.
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Enquanto BTG Pactual e Itaú Unibanco concentram grande parte das discussões sobre o setor financeiro, a XP segue “mal precificada”, avalia Caldas. O desconto atual, disse, não leva em conta as mudanças estruturais em curso no modelo de negócios da corretora.
Fora do setor financeiro, o portfólio da gestora inclui companhias de construção civil ligadas ao programa Minha Casa Minha Vida. Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3) são citadas como exemplos de empresas negociadas em torno de cinco vezes o lucro, múltiplo que o CIO considera atrativo no momento.