O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) autorizou nesta quarta-feira (data não especificada no texto original) o empréstimo de mais 10 milhões de barris de petróleo bruto da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR, na sigla em inglês). A retirada integra um plano maior de liberação de 172 milhões de barris, medida que vem sendo criticada por analistas que apontam possível vulnerabilidade do país diante da escalada dos preços internacionais.
O petróleo sairá do complexo Bryan Mound, no Texas. O governo norte-americano receberá propostas de companhias interessadas na operação até segunda-feira. Segundo nota do DOE, o reabastecimento futuro da reserva ocorrerá “sem custo para o contribuinte americano”.
A iniciativa faz parte de um acordo que reúne 32 nações para disponibilizar, em conjunto, 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas. O volume foi definido após reunião de emergência da Agência Internacional de Energia (AIE), realizada no mês passado em Paris com representantes do G7 para avaliar o impacto do conflito no Oriente Médio no mercado de energia.
“Os desafios enfrentados pelo mercado de petróleo são sem precedentes”, afirmou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, ao anunciar a ação coordenada.
Em relatório recente, o Goldman Sachs advertiu que a liberação coletiva pode não ser suficiente caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado, cenário que provocaria déficit superior a 10 milhões de barris por dia.
Na tarde de sexta-feira, o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana, superava US$ 112, ligeiramente acima da cotação da véspera. A média nacional do galão de gasolina comum nos Estados Unidos ultrapassava US$ 4, mais de US$ 1 acima do valor registrado no início da guerra, de acordo com a AAA.
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O presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, alertou que o encarecimento da energia tende a se espalhar por vários setores. “Há repasse para muitos bens e serviços que compramos, inclusive passagens aéreas”, disse em entrevista na quinta-feira. “Esse efeito costuma levar meses ou até um ano para se completar.”
Em discurso televisionado na noite de quarta-feira, o presidente Donald Trump declarou que as operações militares no Irã deverão continuar pelas próximas semanas, fator que mantém a pressão sobre o mercado de petróleo.
Críticos temem que o uso prolongado da SPR reduza a capacidade de resposta dos EUA em futuras crises de abastecimento, justamente em um momento de forte incerteza geopolítica e de preços elevados da commodity.