São Paulo, 8 de maio – A Verde Asset Management avalia que a trégua de duas semanas firmada entre Estados Unidos e Irã, mediada pelo Paquistão, traz alívio momentâneo aos mercados, mas não afasta um quadro de estagflação no cenário internacional.
Em carta mensal divulgada na terça-feira (7), um dia antes do anúncio do cessar-fogo, a gestora de Luís Stuhlberger afirmou que, “mesmo que a guerra termine amanhã, devemos conviver com preços mais altos de energia por bastante tempo”. Segundo a Verde, os impactos de segunda ordem dessa alta ainda não foram incorporados aos ativos.
Estagflação é a combinação de crescimento econômico fraco com inflação persistente.
A Verde chama atenção para a liberação do tráfego no Estreito de Ormuz. De acordo com informações preliminares do acordo, o Irã teria concordado em liberar a passagem mediante pagamento de pedágio, solução vista pela gestora como insustentável no longo prazo.
Mesmo após o anúncio do cessar-fogo, agências de notícias relataram fluxo tímido na rota marítima e nova interrupção atribuída a Teerã após ataques israelenses ao Líbano. Também foram reportados drones iranianos atingindo alvos norte-americanos no Golfo e instalações de petróleo na Arábia Saudita.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, classificou a trégua como “frágil”. Na sessão desta quarta-feira (8), o preço do barril chegou a cair quase 20%, porém manteve-se acima de US$ 90.
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No início de março, a gestora aumentou a exposição a ações brasileiras, destacando que o país se beneficia de petróleo mais caro tanto no lado fiscal quanto no balanço de pagamentos, ao contrário de outros emergentes importadores de energia.
A Verde zerou a posição aplicada em juro real, manteve opções de compra de real, preservou a alocação em crédito e retirou proteções nesse segmento. No exterior, conservou investimentos em bolsa global, moeda chinesa e cesta de divisas contra o dólar, além de comprar proteção de crédito da Arábia Saudita.
Em um mês considerado desafiador para os multimercados, o Fundo Verde registrou retorno de 0,05%, ante 1,21% do CDI. Em 2026, o fundo acumula 4,57% de alta, contra 3,41% do benchmark da categoria.