Os títulos públicos atrelados à inflação com vencimentos acima de cinco anos foram o destaque da renda fixa em abril. O IMA-B 5+, calculado pela Anbima, avançou 2,20% no mês — ganho duas vezes maior que a média dos demais papéis federais.
Em abril, as taxas de juros futuras recuaram. Quando isso acontece, o preço dos títulos já emitidos sobe. Como os papéis de prazo mais longo — caso dos Tesouro IPCA+ 2032 a 2060 — têm maior sensibilidade às oscilações de juros (conceito conhecido como duration), o movimento foi potencializado.
Na prática, enquanto a rentabilidade contratada desses títulos continuou entre 7,57% e 7,21% ao ano acima da inflação, o valor de mercado deles avançou, gerando o resultado positivo para quem carregava as posições.
Entre janeiro e março, o ambiente de maior aversão a risco — marcado por tensões geopolíticas e incertezas fiscais domésticas — levou investidores a preferir vencimentos mais curtos. Nesse intervalo, o IMA-B 5, que acompanha papéis até cinco anos, acumulou alta de 3,87%, superando os longos.
A virada de abril indica que parte do mercado voltou a alongar a carteira de inflação, aproveitando as taxas ainda elevadas desses papéis. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, chegou a negociar abaixo de 6,72% ao ano no meio do mês, menor nível desde julho de 2025.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O movimento não durou muito. Até 18 de maio, o IMA-B 5+ devolveu 0,81% em meio a nova rodada de aversão a risco que penalizou emergentes, enquanto os demais títulos do Tesouro subiram 0,19% no mesmo período.
Em outras palavras, o desempenho positivo de abril reforça como mudanças na percepção de risco e nas curvas de juros podem impactar, para o bem ou para o mal, o valor de mercado dos títulos indexados à inflação.
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