São Paulo, 8 de abril de 2026 – A Hapvida (HAPV3) encerrou o pregão desta quarta-feira com alta de 9,06%, cotada a R$ 11,19, após ter avançado mais de 17% ao longo do dia. Segundo relatório do JP Morgan, o movimento refletiu expectativas de destravamento de valor caso a companhia se desfaça de ativos considerados não essenciais e de baixo desempenho na Região Sul.
De acordo com informações publicadas pelo portal Pipeline, do Valor Econômico, a operadora avalia vender a Clinipam, o Centro Clínico Gaúcho e três hospitais próprios. Ao todo, o pacote inclui oito hospitais, 21 clínicas e cerca de 490 mil beneficiários.
Os analistas do JP Morgan apontam que as operações sulistas, responsáveis por aproximadamente 5% da receita consolidada, têm pesado nos indicadores da empresa. A Clinipam registrou índice de sinistralidade (MLR) de 85%, enquanto o Centro Clínico Gaúcho atingiu 95,8% em 2025, frente a um MLR consolidado de 78% no mesmo período.
O banco calcula que a venda desses ativos poderia trazer melhora de cerca de 50 pontos-base no MLR e no índice combinado em 2025, reduzindo distrações da gestão e concentrando esforços no principal plano de reestruturação, focado em São Paulo.
A companhia comunicou que a família Pinheiro elevou sua fatia no capital para 51,4%, desconsideradas as ações em tesouraria. Para o JP Morgan, parte do mercado pode enxergar o maior controle como um limitador à influência de outros acionistas, mas o reforço sinaliza compromisso de longo prazo.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
O JP Morgan lembra que Clinipam e Centro Clínico Gaúcho foram adquiridos entre 2019 e 2021 por cerca de R$ 4 bilhões. Contudo, o múltiplo atual da Hapvida, em torno de 5 vezes EV/Ebitda projetado para 2026, sugere valor potencialmente inferior numa eventual transação, dada a relevância estratégica limitada e o desempenho abaixo do esperado.
O banco mantém recomendação neutra para as ações de Hapvida.