Conflito no Oriente Médio pressiona frete, mas sustenta vendas de JBS, Minerva e MBRF

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São Paulo, 9 de abril de 2026 – A intensificação da guerra no Oriente Médio tem criado um cenário ambíguo para as grandes exportadoras brasileiras de proteína animal. Embora o custo logístico tenha disparado com a inclusão de sobretaxas de guerra, a procura por alimentos na região permanece firme e, em alguns casos, até superior à oferta, segundo os presidentes da MBRF (MBRF3), Minerva Foods (BEEF3) e JBS (JBSS32).

MBRF aposta em estoque antecipado

O presidente da MBRF, Miguel Gularte, informou que a companhia preparou-se antes do agravamento do conflito. Desde 2024, a empresa posicionou cargas no Oriente Médio e na Ásia para reduzir riscos sanitários, como surtos de doença de Newcastle e gripe aviária. Essa estratégia acabou protegendo as operações atuais.

Com o frete marítimo encarecido pelas taxas de guerra, a MBRF repassou integralmente os custos aos compradores. “Os clientes aceitaram o aumento porque a demanda continua aquecida”, afirmou Gularte, acrescentando que não houve interrupções relevantes nas entregas.

Minerva: exposição direta inferior a 10%

Fernando Queiroz, CEO da Minerva, destacou que menos de 10% das vendas da companhia dependem dos países envolvidos no conflito, o que limita o impacto imediato. Ainda assim, houve necessidade de redirecionar rotas e arcar com fretes mais caros.

Para o executivo, a crise reforçou a preocupação global com segurança alimentar. “Governos passaram a formar estoques estratégicos e a estreitar laços com fornecedores da América do Sul. Isso deve impulsionar o comércio de carne no médio e longo prazo”, avaliou.

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Imagem: Pasquale Augusto via moneytimes.com.br

JBS mantém produção e compensa custos com preços mais altos

Na JBS, o presidente Gilberto Tomazoni relatou demanda aquecida nos mercados afetados, chegando a superar a capacidade de oferta em alguns momentos. A companhia abastece o Oriente Médio a partir de unidades no Brasil, Estados Unidos, Europa, Canadá e Austrália, além de fábricas na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos que seguem operando.

O aumento nos gastos com transporte marítimo e distribuição interna foi contrabalançado por preços de venda maiores. Segundo Tomazoni, importadores, distribuidores e varejistas vêm formando estoques extras para reduzir riscos diante da instabilidade geopolítica.

Apesar dos desafios logísticos, os três executivos concordam que a firmeza da demanda impediu maiores danos às receitas. A expectativa é de que o Oriente Médio continue comprando volumes relevantes de carne brasileira enquanto o conflito persistir.

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