São Paulo, 16 de abril de 2026 – O UBS BB reduziu nesta quinta-feira (16) a recomendação dos papéis da Ambev (ABEV3) de neutra para venda e ajustou o preço-alvo em 12 meses de R$ 15,00 para R$ 14,50, o que representa potencial de desvalorização de 8,4% frente ao fechamento de ontem, quando as ações terminaram cotadas a R$ 15,83.
Para o recibo negociado em Nova York (ADR ABEV), o alvo foi mantido em US$ 2,65, indicando possível recuo de 15,34% em relação à cotação de US$ 3,13 registrada na véspera.
Segundo os analistas Rodrigo Alcantara, Kevin Zavala e Sanjeet Aujla, a relação risco-retorno tornou-se desfavorável depois de uma alta de 32% dos papéis nos últimos seis meses. O banco calcula que a companhia é negociada a 16 vezes o lucro estimado, prêmio de 19% sobre a média dos últimos cinco anos, embutindo expectativa de crescimento de 18% nos próximos 12 meses, acima da projeção de estabilidade do UBS BB.
A instituição também aponta “desconexão crescente” entre o ritmo de expansão do lucro, o custo de capital no Brasil e o atual valuation da cervejaria.
Por volta de 12h50 (horário de Brasília), ABEV3 recuava 2,65%, a R$ 15,41, figurando entre as maiores quedas do Ibovespa.
1) Cenário macroeconômico doméstico – juros elevados e comportamento das commodities podem pressionar o Ebitda.
2) Política de remuneração aos acionistas – a aversão da empresa ao aumento de alavancagem pode frustrar expectativas e levar a um processo de descompressão dos múltiplos, afirmam os analistas.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Mesmo com eventos como Copa do Mundo e feriados prolongados, o UBS BB não prevê retomada forte de volumes aos níveis de 2024. Pesquisas do UBS Evidence Lab mostram menor propensão ao consumo de álcool entre jovens: apenas 36% da Geração Z relatam consumo semanal, ante 53% dos Millennials, 47% da Geração X e 42% dos Baby Boomers, em levantamento com mais de 1.000 consumidores.
O banco projeta crescimento de volume de 3,5% em 2026, após queda de 4,5% no ano anterior, e avanço de 8% na receita.
As marcas premium passaram de 12% para cerca de 20% do volume de cerveja vendido no Brasil em três anos, mas o ganho de margem tem sido contido. Entre as pressões identificadas estão custos de commodities e aumento de royalties pagos à Anheuser-Busch InBev, que subiram de 0,9% para 1,5% das vendas consolidadas.
Com alavancagem negativa de 0,5 vez dívida líquida/Ebitda ao fim de 2025, o UBS BB prevê payout total próximo de 100% – cerca de US$ 3,5 bilhões anuais – para os próximos anos, abaixo dos mais de 130% distribuídos em 2025, mas acima da média da última década. A margem de fluxo de caixa operacional pós-impostos é estimada em 27%, enquanto o capex permanece em torno de 5% das vendas. A abordagem conservadora sobre endividamento, porém, limita a possibilidade de pagamentos adicionais, conclui o relatório.