Oncoclínicas admite risco à continuidade após prejuízo de R$ 3,6 bi e perdas no Banco Master

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A Oncoclínicas informou nesta quinta-feira (9) que enfrenta “incertezas significativas” sobre sua continuidade operacional depois de registrar prejuízo líquido de R$ 3,6 bilhões em 2025, salto em relação às perdas de R$ 717 milhões apuradas em 2024.

De acordo com o relatório da administração, a deterioração da liquidez decorre principalmente:

  • depreciação de R$ 213,9 milhões em CDBs aplicados no Banco Master;
  • inadimplência de cerca de R$ 900 milhões ligada a contrato com a Unimed-Ferj;
  • revisão da política comercial, que reduziu receitas.

Auditoria indica incerteza relevante

A Deloitte, responsável pela auditoria independente, ressaltou a “incerteza relevante” sobre a capacidade de a empresa seguir operando. O parecer menciona o descumprimento de índices financeiros previstos em contratos de empréstimos, financiamentos e debêntures, o que exigiu a reclassificação de parte expressiva das dívidas.

No fim de 2025, a dívida líquida somada às aquisições a pagar somava R$ 2,9 bilhões, o equivalente a 3,5 vezes o Ebitda. Desse total, R$ 430,9 milhões estavam aplicados em CDBs do Banco Master, cujo escândalo contribuiu para a desvalorização de 68,7% das ações da Oncoclínicas nos últimos 12 meses.

Negociações com credores e parceiros

A companhia informou ter iniciado conversas com credores para alongar prazos e renegociar condições até que a geração de caixa seja restabelecida. Também negocia com a Unimed o recebimento parcial da dívida vinculada à Unimed-Ferj.

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Imagem: redir.folha.com.br

Paralelamente, a rede assinou, nas duas últimas semanas, termos de compromisso com Porto e Fleury para criar uma nova empresa. O plano prevê participação minoritária de cerca de 30% para Porto e Fleury, que aportarão R$ 500 milhões por meio de uma holding. A Oncoclínicas pretende captar até R$ 1 bilhão com a venda de fatias nessa nova sociedade e com a emissão de debêntures conversíveis, transferindo parte da dívida atual para o novo negócio — operação ainda sujeita à anuência dos credores.

Estrutura e operação

Com 146 unidades em 49 cidades, a Oncoclínicas reúne clínicas, laboratórios de genômica e patologia, centros de prevenção e diagnóstico e estruturas integradas de tratamento oncológico. A empresa responde por aproximadamente 90% dos atendimentos de oncologia da Porto, enquanto a aliança com o Fleury é vista pelo mercado como possibilidade de reforçar a presença no segmento ambulatorial e diversificar receitas.

A disputa envolvendo 8,6% do capital da Oncoclínicas, participação herdada pelo Banco de Brasília (BRB) após saída do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segue em discussão judicial, sem definição sobre o destino das ações.

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