Presidente da Ripple diz que adoção prática é o critério decisivo para criptomoedas

Mercado Financeiro7 horas atrás9 Visualizações

Para Monica Long, presidente da Ripple, o que define a viabilidade de um projeto de criptomoedas não é a cotação dos ativos nem o volume negociado, mas sim a capacidade de resolver problemas concretos de pessoas e empresas.

“Tecnologia sem alguém para apertar o gatilho não funciona. Só por ser interessante não significa que será útil”, afirmou a executiva em entrevista durante passagem por São Paulo.

Mercado em baixa não assusta

Após um período de euforia, o setor enfrenta novo “inverno cripto”. Long vê o recuo como parte de ciclos naturais intensificados pelo cenário macroeconômico global. Desde janeiro, o bitcoin caiu 24,29% e o token XRP, usado pela Ripple, recuou 32,54%.

A executiva avalia que projetos baseados apenas na valorização de tokens tendem a desaparecer em fases de baixa. “Quem depende só do preço perde a base de clientes quando o mercado cai; sobrevivem os que entregam solução real”, disse.

Modelo de negócio

Fundada há 13 anos em San Francisco, a Ripple fornece infraestrutura financeira para bancos, fintechs e empresas que realizam pagamentos internacionais. A plataforma permite coletar, converter e liquidar transações em criptomoedas, stablecoins ou moedas fiduciárias, sem atuar como corretora de varejo.

Disputa com a SEC e avanço regulatório

O principal entrave ao crescimento, segundo Long, é a falta de regras claras em alguns mercados. Nos Estados Unidos, a empresa enfrentou processo da SEC iniciado em dezembro de 2020, acusado de ofertar XRP sem registro como valor mobiliário. Em 2023, decisão parcial reconheceu que o token não é título mobiliário em bolsas abertas. Em março de 2025, a SEC desistiu do recurso, encerrando o caso mediante multa reduzida de US$ 50 milhões.

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Imagem: redir.folha.com.br

No mesmo período, o Congresso aprovou o Genius Act (Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins Act), primeiro marco federal para stablecoins. Long relata que, após a lei, o volume de ativos custodiados e de pagamentos em stablecoin mais do que dobrou. “Clareza regulatória é condição para adoção em escala”, afirmou.

Brasil como prioridade

No país desde 2018, Monica Long acompanha a expansão local da Ripple, que considera o mercado de crescimento mais acelerado da empresa nas Américas em pagamentos certificados. São Paulo abriga o escritório que lidera as operações latino-americanas, e a equipe nacional dobrou de tamanho no último ano, impulsionada por aquisições.

Entre os fatores que atraem a companhia estão um sistema financeiro robusto, demandas em pagamentos internacionais, avanços regulatórios e ecossistema empreendedor familiarizado com blockchain. Para Long, o Pix não representa ameaça: “Ele resolve pagamentos domésticos; há espaço natural para conectar brasileiros a blockchain em transações internacionais”.

A executiva reconhece, porém, que o cenário de inadimplência elevada e baixa poupança no país pode dificultar a adesão de usuários.

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