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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta quarta-feira (22), novos índices tarifários para oito distribuidoras que operam em nove estados, medida que afetará cerca de 46,7 milhões de consumidores.
O maior aumento autorizado foi o da CPFL Santa Cruz, de 18,89%, responsável por municípios de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. No mesmo grupo, a CPFL Paulista, que atende o interior paulista, terá acréscimo de 12,13%.
No Centro-Oeste, a Energisa Mato Grosso do Sul aplicará reajuste de 12,1%, enquanto a Energisa Mato Grosso subirá 6,86%.
Para o Nordeste, os índices aprovados foram: Energisa Sergipe, 6,68%; Coelba (Bahia), 5,8%; Enel Ceará, 5,78%; e Neoenergia Cosern (Rio Grande do Norte), 5,4%.
Aneel calcula que o reajuste médio nacional ficará em torno de 8%, quase o dobro da inflação esperada para 2026. O impacto varia conforme o nível de tensão: costuma ser menor para clientes residenciais (baixa tensão) e maior para consumidores industriais (alta tensão).
Três distribuidoras — CPFL Paulista, CPFL Santa Cruz e Energisa MS — recorreram ao diferimento, mecanismo que permite postergar parte do aumento para o ciclo tarifário seguinte a fim de suavizar oscilações.
Imagem: redir.folha.com.br
Quatro concessionárias — Coelba, Cosern, Energisa Sergipe e Energisa Mato Grosso — também reduziram seus percentuais ao incluir no cálculo recursos do Uso do Bem Público (UBP), originados da repactuação dos royalties de hidrelétricas. Ao todo, R$ 8,8 bilhões desse fundo foram destinados à moderação das tarifas.
O governo federal chegou a analisar um empréstimo de até R$ 7 bilhões via BNDES para amortecer os reajustes, mas a proposta não avançou. Encargos e subsídios, especialmente à geração distribuída com painéis solares, continuam sendo apontados pela Aneel como principal fator de pressão sobre as tarifas; apenas 0,2 ponto percentual do aumento médio decorre de custos operacionais.
Antes desta rodada, a agência já havia autorizado elevações para outras distribuidoras: Roraima Energia (24,13%), Enel Rio de Janeiro (15,6%), Light (8,6%) e Equatorial (3,54%). A Light contestou o índice na Justiça, obteve liminar para aplicar 16,7%, mas a decisão foi posteriormente revogada.
Segundo a Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), apenas nos quatro primeiros meses de 2026 os subsídios vinculados à geração distribuída adicionaram R$ 9 bilhões às contas de luz em todo o país.
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