Washington, — O ex-assessor econômico da Casa Branca Larry Kudlow declarou que o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, iniciado nesta segunda-feira, tem o objetivo de cortar a principal fonte de receitas do Irã e levar o regime à falência.
Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), “qualquer embarcação que entrar ou sair da área bloqueada sem autorização estará sujeita à interceptação, desvio e apreensão”. O comunicado ressalta que a medida não impedirá a passagem de navios com destino ou origem em portos não iranianos.
Em pronunciamento, o ex-presidente Donald Trump classificou a iniciativa como “all in, all out”. Ele afirmou que outros países devem aderir à operação e que o Irã ficará impedido de vender petróleo seletivamente. “Será tudo ou nada. Prevejo que eles voltarão e nos darão tudo o que quisermos”, disse.
Kudlow comparou a tática ao bloqueio aplicado à Venezuela: sem exportar petróleo, Teerã deixaria de arrecadar divisas e ficaria sem recursos para financiar suas atividades. O comentarista acrescentou que, caso barcos iranianos ataquem navios norte-americanos, “serão obliterados, como ocorreu com lanchas de traficantes venezuelanos”.
Dados reunidos por TIPP Insights e pela Foundation for Defense of Democracies indicam que mais de 90% dos cerca de US$ 110 bilhões do comércio anual iraniano atravessam o Golfo Pérsico. Antes da guerra, a exportação de petróleo rendia US$ 139 milhões por dia, enquanto petroquímicos somavam outros US$ 54 milhões.
Imagem: Larry Kudlow FOXBusiness via foxbusiness.com
Com o bloqueio, estima-se perda diária de US$ 435 milhões, o que significa US$ 159 bilhões em 12 meses — valor cerca de 50% superior ao orçamento iraniano, calculado em US$ 100 bilhões. Fontes avaliam que a capacidade de armazenamento de petróleo em terra firme no Irã se esgotará em aproximadamente 13 dias, provocando danos permanentes à infraestrutura.
Kudlow mencionou lideranças da Guarda Revolucionária Islâmica, como Mojtaba Vehedi e Mohammad-Bagher Ghalibaf, ao comentar a imprevisibilidade de uma possível mudança de governo em Teerã. “A grande questão é quanto tempo levará para deixá-los sem recursos”, concluiu.
Não há, até o momento, previsão de quando o Irã retornará às negociações com Washington.