O Banco de Brasília (BRB) intensificou, nos últimos meses, a busca por recursos para cobrir perdas que podem chegar a R$ 5 bilhões, resultado da aquisição de R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O valor foi estimado pelo Banco Central (BC) após identificar a baixa qualidade dos ativos negociados.
Segundo dados do terceiro trimestre de 2025, o BRB possuía patrimônio líquido de R$ 4,9 bilhões, abaixo do montante potencialmente necessário para equacionar o rombo. A extensão exata do prejuízo ainda é incerta, pois integrantes da antiga administração são investigados pela Polícia Federal (PF) por suposta participação na fraude.
Na quinta-feira (16), a PF prendeu o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, que comandou a instituição de janeiro de 2019 a novembro de 2025, sob acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A situação levou o BRB a contratar o escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll, para realizar uma auditoria interna. O relatório foi concluído no início de abril e encaminhado à PF para possíveis providências.
O balanço anual de 2025, previsto para março, ainda não foi divulgado. O BRB atribui o atraso à necessidade de concluir a auditoria forense referente à Operação Compliance Zero e de avaliar os impactos financeiros com o auditor independente.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou ter apresentado um plano técnico ao BC para evitar a quebra da instituição. As alternativas incluem:
Em março, foi sancionada lei que autoriza o governo distrital a contratar até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC ou com instituições financeiras para socorrer o banco.
Imagem: redir.folha.com.br
A carteira de crédito do BRB somava R$ 57,2 bilhões em setembro de 2025, metade em consignado para pessoas físicas. O restante se distribuía entre crédito imobiliário (23%) e financiamentos a empresas (9%).
No acumulado de 2026, as ações do BRB já caíram mais de 40% na B3. Em novembro de 2025, agências de classificação de risco rebaixaram a nota da instituição: a Fitch passou o rating para CCC e a Moody’s, no dia 1º de abril, reduziu de BBB- para CCC+, indicando alto risco de calote sem reforço de capital.
O presidente do banco, Nelson de Souza, informou que a instituição mantém provisão de R$ 8,8 bilhões para eventuais perdas, mas admite que o valor pode aumentar. A Moody’s alertou que novos impactos negativos poderão ser críticos, dada a fragilidade do capital regulatório.
A corrida por capital e a divulgação dos resultados de 2025 devem definir os próximos passos do banco público do Distrito Federal.