Os preços do trigo duro vermelho de inverno negociado nos Estados Unidos alcançaram, nesta quinta-feira (16), o nível mais alto em mais de um ano, diante do agravamento das condições climáticas nas Grandes Planícies.
A seca prolongada, agora acompanhada de risco de geada, tem pressionado as lavouras na porção ocidental da região, onde dois terços da safra devem permanecer sob estresse ao menos até o fim da próxima semana, segundo o Commodity Weather Group.
No Kansas, principal produtor norte-americano, 11% da área encontrava-se em seca severa na terça-feira (14), percentual que mais que dobrou em relação aos 5% registrados sete dias antes, de acordo com o U.S. Drought Monitor. Em âmbito nacional, a projeção é de que o plantio de trigo atinja o menor patamar já registrado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) desde 1919.
O contrato de julho do trigo duro vermelho de inverno, negociado em Kansas City, subiu 16,50 centavos e encerrou a sessão a US$ 6,55 por bushel, depois de tocar o maior valor desde março de 2025. Já o trigo soft de Chicago avançou 4,75 centavos, fechando a US$ 6,065 por bushel, máxima desde 3 de abril.
Para Andrey Sizov, da consultoria Sovecon, a combinação de fatores técnicos com as preocupações climáticas sustenta o movimento de valorização.
Imagem: Reuters via moneytimes.com.br
“A safra está regredindo”, resumiu Matt Wiegand, corretor da FuturesOne, sediada em Nebraska.
Em Chicago, o milho recuou 2,75 centavos, para US$ 4,485 por bushel, enquanto a soja perdeu 3,25 centavos, encerrando a US$ 11,6375 por bushel, devolvendo parte dos ganhos observados na quarta-feira.
As preocupações com a produção norte-americana de trigo ofuscaram, no pregão, a pressão baixista proveniente da ampla oferta global e das condições de cultivo favoráveis em outras áreas do Hemisfério Norte.