Ex-presidente do BRB ignora conselho de delação e é preso por uso de documentos falsos, diz PF

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O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso pela Polícia Federal na manhã de 16 de abril de 2026, em seu apartamento de luxo no bairro Noroeste, em Brasília. Segundo a PF, ele teria recebido propina e participado do esquema criminoso liderado por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Resistência à delação premiada

Investigadores afirmam que, desde novembro, quando escapou da prisão na primeira fase da operação Compliance Zero, Costa foi aconselhado a fechar acordo de delação premiada. Familiares também pressionaram para que ele colaborasse antes da análise do material apreendido na segunda fase, em 14 de janeiro. Mesmo assim, o ex-dirigente preferiu montar uma defesa baseada em documentos supostamente técnicos que, segundo a PF, são falsificados.

Estratégia de defesa

Relatos indicam que Costa passou meses cercado de relatórios financeiros, contratos, extratos e dados de fundos de investimento retirados do BRB antes de seu afastamento. O objetivo seria provar que a compra de carteiras do Banco Master e, depois, parte da própria instituição de Vorcaro representavam “excelente negócio” para o banco público.

Entre as preocupações, Costa buscava demonstrar que desconhecia a aquisição de 23,5% do capital do BRB por Vorcaro e sócios, realizada por meio de fundos em aumentos de capital. Para isso, exibia em seu celular conversas com dirigentes do Banco Central (BC), que, na avaliação dele, comprovariam o aval do regulador.

Documentação falsificada

A PF afirma possuir provas robustas, obtidas de dados telemáticos e documentos apreendidos, de que Costa participou da produção em massa de documentos artificiais — planilhas, contratos, extratos, procurações e cláusulas de mandato — criados para dar aparência de solidez a ativos sem lastro. O Banco Central também apontou a existência de papéis forjados.

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Imagem: redir.folha.com.br

Além disso, diálogos revelam pressa na liquidação das compras de carteiras, com flexibilização de controles internos do BRB e suposta vantagem indevida: seis imóveis de alto padrão em São Paulo e no Distrito Federal teriam sido repassados ao ex-presidente.

Posicionamento da defesa

O advogado Cléber Lopes classificou a prisão como “exagero” e afirmou que Costa “não cometeu crime algum”. Ele disse que a estratégia de defesa permanece a mesma e não comentou o uso de documentos tidos como falsos.

Em janeiro de 2025, Lopes solicitou novo depoimento de seu cliente, negando qualquer negociação de delação e reiterando que “todas as operações do BRB seguiram os trâmites adequados”. Para a PF, porém, o avanço das investigações e um relatório de auditoria forense reforçaram as suspeitas, resultando na prisão desta quinta-feira.

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