Queda de público e avanço do e-commerce pressionam shoppings a rever horários de funcionamento

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A redução no fluxo de visitantes tem levado redes varejistas a fechar lojas em shopping centers e provocado um debate sobre a necessidade de ajustes no horário de funcionamento dos empreendimentos.

Fechamentos e mudanças no varejo

A distribuidora Allied, responsável pela maioria das lojas Samsung no país, encerrou 85 pontos de venda desde 2020, reduzindo a operação de 180 para 95 unidades — todas em shoppings. Apesar do encolhimento da rede, o faturamento médio de cada loja subiu de R$ 200 mil para R$ 564 mil mensais, segundo o presidente da companhia, Silvio Stagni.

Stagni atribui as mudanças à migração dos consumidores para o comércio eletrônico. No mercado nacional de celulares, a participação das vendas online passou de 25% em 2020 para 45% atualmente.

Menos visitas, vendas menores

Levantamento da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) indica recuo de 6,2% nas visitas mensais entre 2019 e 2025. No ano passado, a média foi de 471 milhões de entradas por mês, ante 476 milhões em 2024 — o primeiro declínio desde a reabertura pós-pandemia.

No mesmo período, o faturamento nominal dos shoppings avançou 4,2%, para R$ 200,9 bilhões. Descontada a inflação pelo IPCA, as vendas reais caíram 25%.

E-commerce ultrapassa centros de compras

Dados da Abiacom (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e Ecommerce) mostram que o comércio eletrônico movimentou R$ 235,5 bilhões em 2025, aumento de 15,3% sobre 2024 e alta real de 88% em relação a 2019. Desde 2024, as vendas online superam as registradas nos shoppings.

Pressão macroeconômica

Para Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, juros elevados, endividamento e inadimplência reduzem o potencial de consumo, afetando especialmente itens duráveis e semiduráveis vendidos em shoppings.

Mauro Francis, presidente da Ablos (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings), afirma que o poder de compra da classe média encolheu e que plataformas digitais exercem “concorrência desleal” com o varejo físico.

Divergências sobre horário de funcionamento

A discussão sobre o fim da escala 6×1, que pode elevar custos trabalhistas, reabriu o debate sobre jornadas mais curtas nos shoppings. O empresário Alexandre Birman, CEO da Azzas 2154 (dona de Arezzo, Hering, Anacapri e Animale), defende abrir mais cedo, fechar mais cedo e, eventualmente, não funcionar aos domingos.

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Imagem: redir.folha.com.br

Stagni, da Allied, concorda em encerrar as atividades às 20h ou 21h, mas vê baixa movimentação nas primeiras horas da manhã. Já Francis, da Ablos, sugere iniciar um pouco mais tarde e encerrar um pouco mais cedo nos dias de semana, mantendo a operação dominical. A Abrasce rejeita a redução e cogita até estender o funcionamento.

Outros indicadores do setor

Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, informa taxa média de vacância de 4,6% e aponta crescimento de 14% no número de shoppings entre 2019 e 2025, totalizando 658 empreendimentos. A área bruta locável avançou 9%, para 18,3 milhões de m². A previsão de faturamento para 2026 é de R$ 203,7 bilhões, com a inauguração de 11 novos centros.

O Índice de Performance do Varejo, calculado por HiPartners, FX Data Intelligence e F360, registrou queda de 17% no fluxo de visitantes em shoppings em 2025, ante retração de 11% nas lojas de rua.

Cinemas perdem força

Considerada uma das principais âncoras dos shoppings, a rede de cinemas sentiu a concorrência do streaming. A Ancine relata redução de público de 172,2 milhões de espectadores em 2019 para 109,6 milhões em 2025, recuo de 36%. Cerca de 90% das salas estão dentro de centros comerciais.

Desempenho desigual pelo país

Para o publicitário Ricardo Pastore, da ESPM, o modelo de shopping mostra sinais de esgotamento no Sul e no Sudeste, enquanto ainda cresce no Nordeste. Empreendimentos voltados ao público de maior renda também sentem menos os efeitos da crise.

O setor busca novas “âncoras”, aposta em áreas de gastronomia, eventos e serviços e avalia mudanças operacionais na tentativa de recuperar público e vendas.

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