Lufthansa elimina 20 mil voos na Europa para poupar combustível após alta de custos

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A Lufthansa vai retirar 20 mil voos de curta distância de sua malha europeia entre maio e outubro de 2026 para economizar combustível, medida tomada depois de o preço do querosene de aviação ter dobrado desde o início da guerra no Irã, informou a companhia nesta terça-feira (21).

O corte corresponde a cerca de 120 decolagens diárias a partir de Munique e Frankfurt, principais hubs do grupo. Segundo a empresa, a redução representará uma economia aproximada de 40 mil toneladas de combustível.

O plano detalhado será divulgado “no fim de abril ou início de maio” e deverá “otimizar a oferta de voos de curta distância durante o ano, garantindo estabilidade na programação”, acrescentou a aérea alemã.

Preocupação com abastecimento

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que ministros dos Transportes da União Europeia se reuniram para discutir alternativas diante do risco de escassez de querosene. A Agência Internacional de Energia alertou que o bloco dispõe de menos de seis semanas de estoque.

Entre as possíveis soluções, o comissário europeu de Transportes, Apostolos Tzitzikostas, mencionou a importação emergencial de combustível produzido nos Estados Unidos e a autorização para que as companhias abasteçam aeronaves fora do território europeu. Bruxelas também estuda flexibilizar regras de uso de slots nos aeroportos.

A Comissão Europeia promete apresentar nesta quarta-feira (22) um plano para monitorar reservas de combustível de aviação e, se necessário, redistribuí-las entre os países-membros.

Cortes e encarecimento ao redor do mundo

Empresas aéreas de outras regiões adotam estratégias semelhantes. A Delta Air Lines pretende enxugar 3,5% de sua malha para recuperar US$ 1 bilhão em custos extras. Na Ásia, Cathay Pacific, AirAsia X e Air New Zealand também suprimiram rotas para conter despesas.

Mesmo transportadoras europeias que mantêm contratos de hedge se ressentem da alta do combustível. A EasyJet alertou para perdas maiores no inverno, enquanto a Virgin Atlantic prevê dificuldade para voltar ao lucro ainda em 2026, apesar do aumento nas tarifas.

Dezenas de companhias ao redor do mundo recorreram a sobretaxas de combustível ou elevaram preços de passagens na tentativa de repassar parte dos custos aos passageiros.

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