São Paulo – As ações da Embraer (EMBJ3) figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa na manhã desta sexta-feira (8), depois da divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026.
Às 11h40, os papéis recuavam 9,46% na B3, movimento atribuído à queda de rentabilidade, ao aperto de margens e à forte queima de caixa registrada no período, apesar da receita acima das projeções de analistas.
A fabricante de aeronaves reportou receita de US$ 1,44 bilhão, superando as estimativas do mercado, segundo avaliação do Citi. Mesmo com o avanço na linha de faturamento, o lucro ficou aquém do esperado, pressionado pelo desempenho mais fraco da divisão de aviação comercial.
Na aviação executiva, a companhia sofreu impacto negativo de US$ 12 milhões por tarifas impostas pelos Estados Unidos, fator que reduziu a margem bruta do segmento.
A geração de caixa também chamou atenção. Houve queima de US$ 447 milhões no trimestre. O Citi classificou o movimento como sazonal, atribuindo-o à preparação da empresa para elevar o volume de entregas nos próximos meses.
Para o Itaú BBA, o resultado foi fraco e inferior às expectativas do mercado. O banco observou que o desempenho operacional só não foi pior graças a um ganho extraordinário de US$ 25 milhões na divisão de defesa, receita considerada pontual.
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O lucro operacional ajustado também veio abaixo do projetado, reforçando preocupações sobre a rentabilidade da Embraer no início do ano.
Apesar das incertezas, Citi e Itaú BBA mantiveram recomendação de compra para EMBJ3. Ambos destacaram o potencial de crescimento da empresa nos próximos anos e lembraram que a administração reiterou as projeções financeiras para 2026, indicando expectativa de melhora operacional nos trimestres seguintes.
De agora em diante, analistas sinalizam que o principal ponto de atenção do mercado será a capacidade da companhia de recuperar margens e converter o aumento de entregas em geração consistente de caixa.