A Enel Américas aprovou uma linha de crédito de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) para sua controlada brasileira, informou a companhia ao Banco Central do Chile na quinta-feira (23). O crédito, com prazo de 18 meses, será usado nas operações da Enel Brasil em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
O comunicado, também enviado à Bolsa de Comércio de Santiago, à Bolsa Eletrônica do Chile e ao Depósito Central de Valores, foi assinado pelo diretor-geral da Enel Américas, Giuseppe Turchiarelli. No texto, a empresa destaca que os recursos atenderão necessidades financeiras da subsidiária, sobretudo na expansão e modernização das redes de distribuição, consideradas essenciais para melhorar a qualidade e a resiliência do serviço.
Vinte e quatro horas depois do anúncio da linha de crédito, a Fitch rebaixou, na sexta-feira (24), a classificação de risco da Enel Brasil e atribuiu perspectiva negativa a todos os seus ratings corporativos, citando incertezas sobre a renovação da concessão de distribuição de energia em São Paulo.
Já nesta segunda-feira (27), foi a vez de a Moody’s reduzir a nota da Enel Américas, de Baa2 para Baa3, limite inferior do grau de investimento. Perder esse selo implicaria custo maior de captação e risco adicional para investidores.
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Os rebaixamentos elevam a pressão financeira sobre o grupo, enquanto a linha de crédito anunciada pela Enel Américas busca reforçar a liquidez diante do cenário adverso.
Em paralelo, a distribuidora paulista da Enel enfrenta processo de caducidade do contrato de concessão, aberto pelo governo federal por falhas na prestação do serviço. A Aneel analisa se a empresa deverá perder o direito de operar o sistema de distribuição no maior mercado da companhia no país, o que intensifica a incerteza regulatória e financeira.