Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar nos próximos dias o Desenrola 2.0, nova etapa do programa federal de renegociação de dívidas. A informação foi dada nesta segunda-feira (27) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com representantes dos maiores bancos do país.
“Levaremos a proposta ao presidente amanhã para que ele faça o anúncio em breve”, declarou Durigan a jornalistas no Palácio do Planalto. Segundo o ministro, o objetivo é colocar a iniciativa em operação já em maio.
• Redução de dívidas de cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial;
• Adoção de boas práticas de oferta de crédito e ações de educação financeira, com restrição a jogos e apostas on-line;
• Descontos de até 80% concedidos pelos bancos sobre o valor devido;
• Garantia da União: caso o devedor não cumpra o acordo, o Tesouro cobre o saldo;
• Limite de juros sobre débitos renegociados fixado em 1,99% ao mês, abaixo dos 2,5% cogitados anteriormente;
Imagem: redir.folha.com.br
• Público-alvo: pessoas com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105,00.
Pela manhã, Durigan e o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, reuniram-se com executivos de grandes instituições financeiras para ajustar os termos finais do programa. Participaram Carlos Antônio Vieira (Caixa), Felipe Prince (Banco do Brasil), Milton Maluhy Filho (Itaú Unibanco), Mario Leão (Santander), André Esteves (BTG Pactual), Marcelo Noronha (Bradesco), Livia Chanes (Nubank) e Isaac Sidney (Febraban). Mais tarde, o ministro conversou com André Cury, do Citibank.
Dados divulgados hoje pelo Banco Central mostram que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% da renda disponível em fevereiro, novo recorde da série iniciada em 2005. O índice subiu 0,1 ponto percentual em relação a janeiro.
No governo, o alto nível de dívidas, sobretudo entre famílias de baixa renda, é visto como um obstáculo para a recuperação da popularidade do presidente em ano pré-eleitoral.