Emirados Árabes Unidos deixam a Opep após 59 anos e planejam elevar produção de petróleo

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Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram nesta terça-feira a retirada de sua filiação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da aliança Opep+, encerrando uma participação que já durava 59 anos.

Fora do cartel, o país pretende aumentar a produção diária, hoje em torno de 3,6 milhões de barris, para até 5 milhões de barris em 2027, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA). Especialistas apontam que, sem os limites de cotas impostos pela Opep, os Emirados ganham flexibilidade para colocar mais petróleo no mercado.

Motivos da saída

A Opep, liderada pela Arábia Saudita, define cotas de produção para sustentar preços elevados. De acordo com Marc Chandler, estrategista-chefe da Bannockburn Capital Markets, o sistema exige disciplina dos membros para não ultrapassar os volumes permitidos. A decisão dos EAU elimina essa restrição.

O país também opera um oleoduto de 249 milhas (aproximadamente 400 quilômetros) que desvia o trânsito pelo Estreito de Ormuz e desemboca no Golfo de Omã. A rota alternativa tornou-se estratégica após o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que dificultou o tráfego no estreito. Caso a passagem volte a ser reaberta, os Emirados pretendem exportar volumes maiores sem o “freio” das cotas.

Outro fator é o desgaste na relação com a Arábia Saudita. Analistas lembram que os dois países divergem sobre temas como o conflito no Iêmen, o que vinha alimentando tensões internas no bloco.

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Imagem: Simon Constable FOXBusiness via foxbusiness.com

Impacto financeiro

Com o barril do Brent negociado a US$ 111 nesta terça-feira, o acréscimo planejado de 1,4 milhão de barris diários pode gerar recursos extras para reconstrução de instalações danificadas por recentes ataques iranianos, avalia Clayton Seigle, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Efeito dominó?

Qatar já havia deixado a Opep em 2019. Para especialistas, a decisão dos Emirados pode incentivar outros produtores a seguir o mesmo caminho. Seigle cita o Iraque como possível candidato a repensar sua permanência, o que aumentaria a pressão sobre o cartel e poderia reduzir os preços internacionais do petróleo no médio prazo.

Analistas observam que um eventual esvaziamento da Opep teria repercussões significativas no mercado global de energia, potencialmente levando a valores mais baixos para consumidores em todo o mundo.

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