O bloqueio ao tráfego marítimo no Estreito de Hormuz, iniciado após o ataque ao Irã em 28 de fevereiro de 2026, resultou na retirada de 10,1 milhões de barris de petróleo por dia do mercado global em março, segundo o relatório Commodity Markets Outlook, divulgado nesta terça-feira (28) pelo Banco Mundial.
Metade do comércio marítimo mundial de enxofre e 34% das exportações de petróleo bruto passam pelo Estreito de Hormuz, assim como 29% do gás liquefeito de petróleo, 19% do gás natural liquefeito, 19% dos derivados de petróleo, 13% dos produtos químicos (incluindo fertilizantes) e quase 10% do alumínio. O fechamento praticamente zerou, a partir de 5 de março, o fluxo diário normal de cerca de 60 petroleiros.
A interrupção provocou a maior alta mensal do preço do petróleo desde o início dos anos 2000: o barril subiu US$ 46 em março. Entre o início do conflito e 20 de abril, o preço do combustível de aviação em Singapura dobrou, a ureia avançou 85%, os futuros asiáticos de GNL subiram 46% e o Brent, 32%.
Dos cerca de 20 milhões de barris diários afetados, o Banco Mundial estima que:
Mesmo com essas alternativas, persiste um déficit de 4,6 milhões de barris diários — pouco acima de 4% do consumo mundial. Caso os estoques se esgotem, a lacuna pode chegar a 8%.
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O Banco Mundial parte do pressuposto de que a fase mais aguda da interrupção se encerre em maio, com recuperação gradual do transporte até voltar aos níveis pré-guerra no último trimestre de 2026. Com essa hipótese, o banco projeta:
Para o petróleo, a previsão média é de US$ 86 por barril em 2026, alinhada às cotações futuras. Um bloqueio prolongado e danos adicionais a instalações poderiam levar o preço médio a US$ 115 ou mais.
O Banco Mundial alerta que, embora a oferta global venha a se ajustar, a rapidez dessa recomposição depende do fim do bloqueio no Estreito de Hormuz.